29 de dez de 2011

Saiba onde assistir aos filmes da Imovision



Referente  a  semana  de 30/12/2011 a 05/01/2012
O Homem ao Lado
Instituto NT, em Porto Alegre

Poesia
Instituto NT, em Porto Alegre

Cópia Fiel
Cinemark Downtown, no Rio de Janeiro
Instituto NT, em Porto Alegre (dia 03/01/2012)
Cine Jóia, no Rio de Janeiro

Vincere
Instituto NT, em Porto Alegre (dia 03/01/2012)

Minhas Tardes com Margueritte
Cinemateca Paulo Amorin, em Porto Alegre
Cine Batel, em Curitiba
Espaço Itaú, em Brasília
Cinema do Museu, em Salvador
UCI Multiplex Ribeiro, em Fortaleza (de 23/12 a 05/01)

Mamute
Espaço Unibanco Dragão do Mar, em Fortaleza

Esses Amores
Cinemark Iguatemi, em Brasília
Cinemark Downtown, no Rio de Janeiro

Medianeras
São Paulo
Reserva Cultural

Rio de Janeiro
Estação Barra Point
Cine Joia
Estação Vivo Gavea
Estação Botafogo

Brasília
Espaço Itaú, pré-estreia (dias 23/12 e 25 a 29/12)

Salvador
Cine XIV

Recife
Cine Rosa e Silva

Borboletas Negras
Multiplex Recife (de 23/12 a 05/01)

Meu País
Cinemark Ipiranga, em Porto Alegre

A Criança da Meia-Noite
Cinemark Santa Cruz, em São Paulo
Movie Arte, em Porto Alegre

Em Casa Para o Natal
Unibanco Arteplex, no Rio de Janeiro

Se Não Nós, Quem?
Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre
Lumière Shopping Royal, em Londrina

O Pequeno Nicolau
Cine Jóia, no Rio de Janeiro

O Garoto da Bicicleta
São Paulo
Reserva Cultural
Espaço Unibanco Augusta
Cine Galeria Campinas
Cine Topazio Campinas

Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex
Cine Joia
Estação Barra Point

Belo Horizonte
Usiminas Belas Artes

Salvador
Cine Vivo

Porto Alegre
Cine Guion
GNC Moinhos

Brasília
Espaço Itaú

Adeus, Primeiro Amor
São Paulo
Reserva Cultural
Unibanco Arteplex
Cine Lumière

Rio de Janeiro
Estação SESC Botafogo
Cine Glória

Salvador
Cine Vivo (estreia em 30/12)

Isto Não É um Filme
Cinema da UFBA, em Salvador (estreia em 30/12)

Românticos Anônimos
São Paulo
Reserva Cultural
Unibanco Arteplex Frei Caneca
Playarte Bristol
Espaço Unibanco Pompéia
Cine Sabesp
Espaço Unibanco Augusta
Cine Square Granja Viana

Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex
Estação SESC Rio
Estação SESC Barra Point
Estação SESC Ipanema


A Guerra Está Declarada
São Paulo
Reserva Cultural (pré-estreia dia 30/12)
Arteplex SP (pré-estreia dia 30/12)

Rio de Janeiro
Espaço Sesc Rio (pré-estreia dia 05/01)

23 de dez de 2011

Saiba onde assistir aos filmes da Imovision


Programação referente à semana de 23/12 a 30/12

Cópia Fiel
Cinemark Downtown, no Rio de Janeiro

Homens e Deuses
Cinemark Tatuapé, em São Paulo

Minhas Tardes com Margueritte
Cine Guion, em Porto Alegre
Cine Batel, em Curitiba
Espaço Itaú, em Brasília
Cinema da UFBA, em Salvador
UCI Multiplex Ribeiro, em Fortaleza (de 23/12 a 05/01)

Mamute
Espaço Unibanco Dragão do Mar, em Fortaleza

Esses Amores
Cinemark Iguatemi, em Brasília
Cinemark Metrô Santa Cruz, em São Paulo

Medianeras
São Paulo
Reserva Cultural

Rio de Janeiro
Estação Barra Point
Cine Joia

Brasília
Espaço Itaú, pré-estreia (dias 23/12 e 25 a 29/12)

Salvador
Cine XIV

Recife
Cine Rosa e Silva

Borboletas Negras
Multiplex Recife (de 23/12 a 05/01)

Meu País
São Paulo
Playarte Praça da Moça Diadema (apenas terça e quinta)
Cinemark Shopping D
Playarte ABC

Sorocaba
Cine Sorocaba

Porto Alegre
Cinemark Ipiranga

Manaus
Playarte

A Criança da Meia-Noite
Movie Arte, em Santa Maria

Em Casa Para o Natal
Unibanco Arteplex, no Rio de Janeiro
Usiminas Belas Artes, em Belo Horizonte

Se Não Nós, Quem?
Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre

O Garoto da Bicicleta
São Paulo
Reserva Cultural
Espaço Unibanco Augusta

Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex
Cine Joia
Estação Barra Point

Belo Horizonte
Usiminas Belas Artes

Salvador
Cine Vivo

Porto Alegre
Cine Guion
GNC Moinhos

Brasília
Espaço Itaú

Adeus, Primeiro Amor
São Paulo
Reserva Cultural
Unibanco Arteplex
Cine Lumière

Rio de Janeiro
Estação SESC Botafogo

Salvador
Cine Vivo (pré-estreia em 25/12)

Isto Não É um Filme
Cinema da UFBA, em Salvador (pré-estreia em 26/12)

Românticos Anônimos
São Paulo
Reserva Cultural
Unibanco Arteplex Frei Caneca
Playarte Bristol
Espaço Unibanco Pompéia
Cine Sabesp
Espaço Unibanco Augusta

Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex
Estação SESC Rio
Estação SESC Barra Point
Estação SESC Ipanema

Estreia - Românticos Anônimos

Ilustração da artista plástica Jana Magalhães para Angelique e Jean-René

Chega aos cinemas a estreia mais doce do ano! Românticos Anônimos, do francês Jean-Pierre Améris promete incrementar esta época do ano com muita doçura e simpatia. A doçura, claro, faz uma alusão aos deliciosos chocolates, que enfeitam o filme e a simpatia, nos leva a uma experiência única, de notar os rumos dos relacionamentos amorosos nos dias atuais, com certeza, vendo a timidez do casal protagonista e desejando, torcendo para que os dois tenham um final feliz. Românticos Anônimos é mais do que uma simples comédia romântica - trata-se de um modo bem-humorado de mostrar aos espectadores sobre como, em cada um, existe a vontade de superar todas as barreiras impostas em nosso dia-a-dia, que os impedem de ser completamente felizes, sem receios e sem acanhamento.
A história contada por Jean-Pierre Améris reune Angelique (Isabelle Carré) e Jean-René (Benoît Poelvoorde): ele, dono de uma fábrica de chocolates e, ela, especialista em seu preparo. O que os une também é a timidez e a dificuldade em se relacionar com outras pessoas. O cineasta Jean-Pierre Améris contou, inclusive que, muito do que está nesta produção foi fruto de suas próprias experiências de vida, como o fato de ter participado de um grupo de ajuda para pessoas com problemas de sociabilização. A timidez crônica, vivida pelos protagonistas é uma arma infalível, que garante um humor limpo, sem fronteiras com seu público.
Fica muito claro que Angelique e Jean-René são feitos um para o outro; seriam um casal perfeito, se não fosse pela dificuldade em se comunicarem e expressar seus verdadeiros sentimentos. E nisto, Améris os coloca em um plano muito humano, sem julgamentos por suas condições psicológicas e muito menos teorias que justifiquem este comportamento; de fato, como conhecedor da causa, o diretor dá um ar muito mais realista à esta condição vivida pelo casal, assim como entrelaça-a a uma perspectiva vivida por muitos na vida real. É uma produção que vai arrancar risadas e suspiros, além de dar água na boca.
Veja o trailer de Românticos Anônimos, estreia da semana, com distribuição da Imovision:

22 de dez de 2011

Dicas de DVD - Poesia e Dieta Mediterrânea

O sul-coreano Poesia, de Lee Chang-dong conta uma história diferente: Mija, uma senhora que vive com seu neto em uma cidadezinha às margens do rio Han, é excêntrica, moderna, uma figura notável por todos os lugares onde passa, além disso, possui uma mente inquieta e questionadora. Quando se depara com "aulas de poesia", ministradas em um centro cultural da vizinhança, Mija é desafiada a escrever pela primeira vez na vida um poema. A partir deste momento, ela passa a enxergar o mundo de uma maneira especial, como uma criança que encara as primeiras experiências. Porém, o destino é cruel e a idosa é obrigada a voltar para a realidade, vendo que aquele mundo maravilhoso não é o que realmente parece. Por toda a Ásia, Poesia recebeu grandes prêmios, como Direção e Atuação Feminina. Em Cannes, no ano de 2010, foi vencedora do Prêmio Ecumênico do Juri e de Melhor Roteiro. Nos EUA, especificamente, Yun Jeong-hie, a simpática velhinha Mija, recebeu o prêmio LAFCA 2011 de Melhor Atriz, pela Associação dos Críticos de Los Angeles. Poesia é, com certeza, uma lição de vida sobre o amadurecimento e a chegada da velhice, sobre a ternura e um mundo novo, feito a partir das percepções pessoais de alguém especial.

Dieta Mediterrânea, de Joaquín Oristrell, é uma deliciosa comédia espanhola, que conta a história de Sofia, uma jovem que, desde pequena, viveu rodeada por fogões, mesas, pratos. Na idade adulta, já como uma grande chef, mostra-se uma mulher extremamente trabalhadora, ambiciosa e, claro, muito imprevisível - tanto que acaba por se envolver com, não apenas um, mas dois homens: Toni, um homem exemplar, marido perfeito, com quem Sofia se casa; e Frank, um rapaz de grandes descobertas em relação a gastronomia, alguém com quem Sofia quer descobrir os segredos da alta gastronomia. Um acordo amoroso e profissional então é proposto e, Sofia, com seu jeito peculiar, concilia sua vida culinária e pessoal de forma revolucionária, garantindo aos espectadores várias doses de comédia refinada, como os pratos preparados pela chef. 

Poesia e Dieta Mediterrânea já estão em DVD, distribuidos pela Imovision. Veja os trailers:

21 de dez de 2011

Em Cartaz - Adeus, Primeiro Amor

A história de ternura e amadurecimento contada por Mia Hansen-Love em Adeus, Primeiro Amor é fruto de um feito inédito; um enredo sobre adolescentes e sobre a paixão que possuem à flor da pele, sem ser piegas e superestimada, como os já conhecidos clichès que estreiam todos os dias nos cinemas do mundo inteiro. 

A linda trajetória da jovem Camille (Lola Créton) é contada por meio de seus altos e baixos, por momentos de tristeza que se entrelaçam com uma alegria e comoção. Ela é mostrada em duas fases, a primeira ainda uma adolescente apaixonada, decidida a permanecer para sempre com seu namorado, Sullivan (Sebastian Urzendowsky). Esta relação parece dar certo, até o momento em que Sullivan decide partir em uma viagem à America do Sul, abandonando assim a jovem. 


Após tanto sofrimento, meses de espera sem qualquer perspectiva, Camille começa a entender a dor desta separação e decide, como quem não possui esperança de alguma melhora em sua situação, mudar de vida, sem mais notícias de Sullivan. Ela cresce, torna-se uma mulher, vai à faculdade e finalmente conhece Lorenz (Magne Havard Brekke), um famoso arquiteto norueguês, capaz de dar a Camille tudo o que precisa; estabilidade econômica, ascenção profissional e, especialmente, amor. Os anos começam a passar e, com isto, a volta de Sullivan é vista por Camille como uma quebra de todos os paradigmas estabelecidos com sua maturidade. E é exatamente neste momento em que ela precisa decidir o  rumo que sua vida tomará. 

As belíssimas paisagens que compõem tanto os cenários internos como externos são resultado de uma visão feminina, delicada, proposta por Mia Hansen-Love, os cortes de cena são metáforas da vida desta garota, que passa por momentos únicos em sua vida e, no final disto tudo, vai e volta infinitamente. 





Adeus, Primeiro Amor está em cartaz nos cinemas, veja o trailer:

20 de dez de 2011

Em Breve - O Gato do Rabino

A colorida HQ de Joann Sfar, O Gato do Rabino se transformou em animação. Voltado para todas as idades, a história reune a cultura do norte africano, mais especificamente da Argélia ao início do século XX, em lindas paisagens e muito humor, além de um gato peculiar, que, ao engolir um papagaio, adquire o poder da fala. Em forma de homenagem, Joann Sfar colocar em cena a cultura judaica e a expressão artística dos pintores argelinos da época, tornando a experiência proposta por Sfar única no gênero. 
O humor refinado e inteligente que caracteriza o protagonista, um gato falante que questiona sobre a sua função como gato, filosofa sobre seu papel em casa e também o tempo todo sobre sua condição de judeu; deveria ele ter um Bar Mitzvah e ler a Torá? Deveria seguir os preceitos morais respeitados pelos judeus? Em uma divertida aventura, as respostas vão chegando, aos poucos. Os espectadores ficam emocionado com a riqueza de detalhes em um estilo único, pelas formas e cores peculiares, como apenas Joann Sfar é apto a criar.
Joann Sfar é um artista magnífico; um destaque dentro desta nova geração de quadrinhos contemporâneos franceses. Vale lembrar que o filme Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres, que será distribuido em breve em DVD pela Imovision, foi dirigido também por Sfar, o qual, em brilhante técnica, compôs a mão livre um storyboard quadro-a-quadro para a direção de Gainsbourg
O Gato do Rabino, de Joann Sfar estará em breve nos cinemas, com distribuição da Imovision.

Medianeras é eleito um dos melhores filmes de 2011

Desde sua primeira semana de estreia, Medianeras está em primeiro lugar no ranking dos 10 melhores filmes do ano feito pela Veja SP, e até agora continua. Em uma lista feita com os melhores filmes em cartaz de 2011 pela mesma revista, Medianeras aparece em primeiro lugar nos destaques deste ano. 
Medianeras , filme que aborda o paradoxo da vida online, conectada a tudo o tempo todo, que ao mesmo tempo nos afasta dos relacionamentos na vida "real", é também sucesso de crítica 2011, e muito se deve aos atores Javier Drolas e Pilar López de Ayala que conseguem incorporar referências, angústias, e comportamentos derivados da modernização de nossas vidas e consequentemente relações e ajudam a constituir a apatia que parece tomar conta de toda essa geração que tudo faz via internet. 
Gustavo Taretto dirige seu primeiro filme com um humor inteligente, tragicômico que, provavelmente em algum aspecto, se encaixa com o estilo de vida de cada um dos que o assiste.

A revista Superinteressante também colocou Medianeras nos Destaques de 2011 da Super: Os 10 melhores filmes do ano.
"É um filme totalmente off-Hollywood, mas que dialoga diretamente com o público que vai aos multiplexes, gosta de games, é viciado em redes sociais, adora, mas tem preguiça de fazer natação e já passou muito tempo tentando descobrir onde está o Wally. Uma crônica urbana divertida e um genuíno produto de sua época."
O Estado de São Paulo definiu Medianeras "o filme mais lindinho de 2011".
Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual continua em cartaz nos cinemas. Não percam!

Documentário Pina emociona enquanto se consagra nas espectativas para o Oscar

O documentário sobre Pina Bausch, dançarina e coreógrafa alemã, dirigido por Wim Wenders em forma de homenagem está entre uma das grandes expectativas para o Oscar 2012. Uma forma completamente nova de enxergar a arte, por meio da arte cinematográfica e da técnica 3D combinam beleza e tecnologia para apresentar um espetáculo nas grandes telas do mundo inteiro. 
De forma geral, a produção cinematográfica voltada ao 3D apenas era utilizada como um recurso para chamar a atenção de seus espectadores de forma direta - nota-se o uso da técnica como um chamariz por si só; com isto, muitas produções, continuamente, apegavam-se apenas à tecnologia, deixando de fora as histórias que deveriam ser contadas. O que diferencia Pina de todos os outros filmes em 3D é exatamente a presença de um enredo voltado à estética artística, sendo a tecnologia então transformada em arte, usada de modo sutil, que dá a Pina um colorido diferenciado. Nesta obra, Wim Wenders faz questão de mostrar ao seu espectador o espetáculo da dança, com todos os detalhes, formas e cores, sem apelar para um 3D puro.
O documentário emocionou, levou os óculos 3D pela primeira vez ao Festival de Berlim. Comoveu, ao passo que, a coreógrafa faleceu antes do término das gravações e, claro, isto causou um impacto completamente novo, com ares de homenagem e agradecimento a todo o conhecimento que Pina Bausch trouxe aos amantes de dança de todo o mundo.    
               
Em termos de premiações, segue como um dos selecionados para a nomeação de Melhor Documentário no Oscar 2012, assim como venceu pela mesma categoria no European Film Festival e no German Film Festival. Podemos dizer que, com toda a emoção trazida por Pina, não se trata de mais um daqueles filmes de dança, mas sim de um espetáculo que salta aos olhos nas telas dos cinemas, literalmente

O filme Pina 3D estará em breve nos cinemas brasileiros, com distribuição da Imovision.

19 de dez de 2011

Cine Nostalgia - Michael Haneke

Hoje, o Cine Nostalgia fala sobre Michael Haneke, cineasta austríaco que, de forma muito própria, coloca em questão temas relacionados profundamente com a violência e a crueldade humana. Trabalhando pelo viés do drama psicológico, Haneke consegue manter seus espectadores em um clima de tensão, impulsionado apenas pelo desenvolvimento das cenas através de suas personagens, escolhidas de modo que possam expressar significativamente todo o conteúdo que o diretor deseja mostrar. Pode-se dizer que a fisionomia das personagens de Michael Haneke são a personificação da ação, medida especialmente pelo lado mais desconhecido da psicologia humana, embasados na própria fisionomia, que aponta para a tensão buscada pelo diretor. 

Em Violência Gratuíta, as comparações com Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick são frequentes; os jovens aparentemente simpáticos apresentam-se a uma rica família, em sua casa de campo, como convidados de seus vizinhos. Não tarda para que a dupla inicie um plano de sadismo e violência, suas verdadeiras intenções se revelem. Fazendo uma alusão clara ao processo da violência em meios da arte cinematográfica, Haneke dá espaço para que o espectador se questione sobre os meios como o sadismo no cinema floresça até mesmo nas produções mais sutis e aparentemente ingênuas. A alusão à trilha sonora, de cunho clássico, remete mais ainda à Kubrick e seu Alex, a freneticidade dada à composição da violência e do sadismo que compõem Violência Gratuíta possui um charme sem comparação, onde a fisionomia, mais uma vez, de seus personagens, lidera um jogo de expressões que causam toda uma tensão proposital. Haneke é apenas um cúmplice deste jogo terrível.

Já no premiado A Fita Branca, a questão da violência se foca em um período histórico, uma Alemanha triste e acinzentada, um cenário pré-guerra composto por um conflito interno. A filmagem é em preto-e-branco, dando um ar completamente realista àquela produção. A crueldade pulsante de um pequeno vilarejo, que fica ali, em um palco perfeito para a ascenção do nazismo também dá aos seus espectadores um leque de reflexões sobre o modo como a violência passa de geração em geração, conduzindo as suas vítimas à tentativas de vingança e acúmulo de maldade sem limites. Neste contexto monocromático, uma série de sádicos acontecimentos vem ocorrendo ao mesmo tempo em que crianças e jovens são submetidos à diversos tipos de crueldade, com um embasamento moral muito claro por seus pais e representantes. O gosto pela maldade fica estampado durante os 144 minutos que percorrem o filme; o sofrimento, a degradação moral, física e sexual são colocadas em um plano principal onde os sentimentos parecem não existir. Ao final, o espectador pode sentir claramente o sangue que pulsa por todo o corpo queimando, como um combustível prestes à explosão, em ódio e indignação. Haneke faz, de fato, uma análise muito simples sobre o subconsciente, que capaz de reger um crime, está presente em nossa sociedade, em nossas vidas, durante muito tempo. 

Haneke certamente expressa tudo o que fica contido em uma geração; o pior lado do ser humano é colocado em um pedestal e analisado como em um divã. E seus espectadores veem atrocidades que, após o momento em que parecem naturais, tornam-se objeto de aprendizado, como o ódio movido pelo ódio. 

"Pina" e "A Separação" na lista dos possíveis candidatos ao BAFTA 2012

A British Academy of Film and Television Arts anunciou neste fim de semana a lista dos possíveis filmes candidatos ao BAFTA 2012. O BAFTA é um dos mais importantes premiações do cinema, reconhecido pela exigência de critérios e reponsável pelo reconhecimento de grandes nomes do cenário cinematográfico.

Entre os possíveis nomeados está o primeiro filme de arte rodado em 3D e dirigido por Wim Wenders sobre a coreógrafa alemã Pina Bausch Pina, que será lançado pela Imovision no primeiro semestre de 2012 e é um forte candidato a uma vaga na disputa pelo Oscar 2012 como Melhor Documentário.
Wim Wenders nas gravações de Pina.
A Separação também está na lista. Premiado em diversos festivais do mundo até agora incluindo do Urso de Ouro, prêmio de melhor filme no Festival de Berlim de 2011, também forte candidato a ser um dos cinco que concorrem a estatueta de melhor filme estrangeiro no Oscar 2012, representando o Irã.
A Separação, de Asghar Farhadi, está entre os possíveis elegíveis ao BAFTA e ao Oscar 2012.
Na última quinta-feira o iraniano A Separação, de Asghar Farhadi (Procurando Elly), foi selecionado também para a disputa de Melhor Filme em Língua Estrangeira na premiação do Globo de Ouro em 2012, ao lado de O Garoto da Bicicleta dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que está em cartaz nos cinemas.
Potiche: Esposa Troféu de François Ozon também está na lista dos elegíveis ao BFTA 2012.
Mamute, de Gustav de Kervern e Benoit Delépine, estrelado por Gérard Depardieu,  Potiche: Esposa Troféu de François Ozon estrelado por Depardieu e Catherine Deneuve e Incêndios de Dennis Villeneuve - que concorreu ao Oscar 2011 como melhor filme estrangeiro - também estão entre os possíveis elegíveis ao BAFTA 2012 (veja a lista completa dos filmes inscritos aqui). 

A premiação do BAFTA acontece em 12 de fevevereiro de 2012, vamos torcer!

Uma das grandes apostas do Oscar, A Separação mostra o lado obscuro das famílias atuais

A Separação, filme indicado ao Globo de Ouro 2012, conta uma história que engloba temas diversos, todos, porém, muito difíceis de ser abordados. O diretor iraniano  Asghar Farhadi consegue mostrar neste longa o conflito familiar por uma perspectiva completamente diferente da que seus espectadores poderiam esperar em relação a realidade iraniana. 
A separação de Nader e Simin é apenas um pretexto para evidenciar os reais motivos pelos quais uma família decide seguir rumos diferentes. Enquanto Simin (Leila Hatami) deseja sair do país para dar melhores condições à filha, Nader (Peyman Moaadi) se sente obrigado a cuidar do pai, portador da doença de Alzheimer em estado crítico. Este conflito se acentua com a presença de uma jovem, contratada para cuidar do pai senil e da adolescente. Quando segredos são descobertos em relação à jovem, as famílias se envolvem em uma disputa jurídica, que se desdobra em valores morais e religiosos, especialmente voltado à realidade iraniana. Pode-se notar, que mesmo com este enfoque, Farhadi consegue ampliar sua visão, englobando as famílias das mais diversas culturas, tanto ocidentais quanto orientais, entrelaçadas pelos problemas de convívio, pelo sofrimento e as diferenças entre gerações. 
Um dos filmes do Oscar, representante iraniano à vaga de Melhor Filme Estrangeiro, é prontamente identificado como uma metáfora à situação do Irã, dividido em relação aos seus rumos, por uma forma de governo já carecida de mudanças, a necessidade de transformar o futuro de uma geração constantemente insatisfeita com o segmento que o país toma. A Separação faz parte de uma safra de filmes iranianos que possibilitam seus espectadores a uma profunda reflexão sobre dois universos diferentes; o interno, que pauta os conflitos familiares e morais e o externo, que foca especialmente na situação do país, em seus problemas e na necessidade de quebrar vínculos para que, de fato, possam ocorrer transformações efetivas. A separação, a quebra do regulamento familiar interno, a promessa de mudança e o sofrimento que a impede de ocorrer são, juntos, uma esperança para que, aos poucos, possamos notar o enriquecimento de um cinema, mesmo que nos pareça distante, nos une por sua perspectiva, com olhos voltados ao que é pequeno, e o que se torna grandioso. 

Veja o trailer de A Separação (Irã), em breve nos cinemas, com distribuição da Imovision:

16 de dez de 2011

Saiba onde assistir aos filmes da Imovision

















Programação referente a semana de 16/12 a 22/12


Cópia Fiel
Cinemark Downtown, no Rio de Janeiro

Homens e Deuses
Cinemark Tatuapé, em São Paulo

Minhas Tardes com Margueritte
Cine Guion, em Porto Alegre
Cine Batel, em Curitiba (pré-estreia dia 17/12)
Espaço Itaú, em Brasília
Cinema da UFBA, em Salvador

Mamute
Movie Arte, em Santa Maria
Espaço Unibanco Dragão do Mar, em Fortaleza

Esses Amores
Cinemark Iguatemi, em Brasília
Cinemark Metrô Santa Cruz, em São Paulo

Medianeras
São Paulo
Reserva Cultural

Rio de Janeiro
Estação Barra Point

Salvador
Cinema da UFBA

Recife
Cine Rosa e Silva

Borboletas Negras
Movie Arte, em Santa Maria

Meu País
São Paulo
Playarte Praça da Moça Diadema (apenas terça e quinta)
Playarte Bristol (apenas terça e quinta)
Playarte ABC

Sorocaba
Cine Sorocaba

Porto Alegre
Cinemark Ipiranga

Campos
Cinemagic

Macaé
Cinemagic

Belém
Cinepólis

Caxias do Sul
Cinepólis

Manaus
Playarte

A Criança da Meia-Noite
Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre

Em Casa Para o Natal
Unibanco Arteplex, no Rio de Janeiro (pré-estreia 1712)
Usiminas Belas Artes, em Belo Horizonte

Se Não Nós, Quem?
Cine Metrópolis, em Vitória
Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre
Cinema do Museu, em Salvador

O Garoto da Bicicleta
São Paulo
Reserva Cultural
Espaço Unibanco Augusta

Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex
Estação Vivo Gávea
Estação Barra Point


Belo Horizonte
Usiminas Belas Artes

Salvador
Cine Vivo

Porto Alegre
Cine Guion
GNC Moinhos

Maceió
Cine SESI

Adeus, Primeiro Amor
São Paulo
Reserva Cultural
Cine Livraria Cultura
Cine Lumière

Rio de Janeiro
Espaço SESC de Cinema
Estação Vivo Gávea
Estação SESC Barra Point

Para Poucos
Espaço Unibanco Augusta, em São Paulo

Românticos Anônimos
Reserva Cultural, em São Paulo (pré-estreia 17/12)

Juliette Binoche vive jornalista nos bastidores da prostituição em "Elles"

Elles, dirigido por Malgorzata Szumowska é o mais novo filme estrelado por Juliette Binoche (Cópia Fiel) e conta a história de Anne (Binoche), uma jornalista da famosa revista Elle em Paris, que está escrevendo um artigo sobre prostituição entre estudantes universitárias.
Juliette Binoche mais uma vez prova o quanto merece seu reconhecimento como atriz, e faz jus ao prêmio de melhor atriz em Cannes que recebeu em 2011 por Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami.

O filme aborda a prostituição a partir da perspectiva de duas jovens estudantes, que concordam em conversar com a jornalista: Alicja (Joanna Kulig), uma provocativa e ambiciosa estudante de economia que deixou Poland para aprimorar seus estudos, e Charlotte (Anaïs Demoustier, de As Neves de Kilimanjaro), sutil estudante de uma escola parisiense, determinada a deixar sua modesta vida de cidade do interior.

Elles mostra o discurso das garotas que assumem este trabalho e toda a violência física e psicológica por traz da prostituição.

A jornalista Anne, que esperava encontrar miséria e sofrimento, descobre nas garotas liberdade, orgulho e autonomia, o que faz de uma curiosidade profissional sobre a vida das garotas, virar um questionamento sobre sua própria vida.

Elles será distribuído nos cinemas pela Imovision em breve.

Estreia - Adeus, Primeiro Amor

A juventude calorosa e o amadurecimento doloroso são colocados pela diretora Mia Hansen-Love de uma maneira tão sutil e apaixonante que leva muitos de seus espectadores às lágrimas ao final de Adeus, Primeiro Amor. A história de dois jovens, Camille (Lola Créton) e Sullivan (Sebastian Urzendowsky), um casal de adolescentes que vivenciam juntos as primeiras experiências do amor, da vida a dois, do abandono.

As sensações vividas pela jovem Camille caem por terra quando o namorado decide ir para a América do Sul. Ao que parece, Sullivan não está entregue a esta paixão do mesmo modo que Camille. A dor desta separação é inevitável, e sim, ela se entrega ao sofrimento de uma vida inteira que parece ter sido jogada fora, uma devoção que, de fato, foi em vão. Camille cresce, deixa de ser menina, torna-se mulher, arquiteta. E neste contexto, em meio ao difícil processo de superação, conhece o arquiteto norueguês Lorenz (Magne Havard Brekke), um homem capaz de lhe dar tudo o que precisa para continuar sua vida: amor, uma vida estável e ascenção profissional. A vida de Camille, agora mulher, parece ter sido transformada, de um modo emocionante e terno; até o seu reencontro com Sullivan

Com uma sensibilidade incrível, Mia Hansen-Love consegue adaptar os altos e baixos da vida de sua protagonista em um jogo de cenas que agem como um deleite para os olhos mais atentos à estética cinematográfica. As brincadeiras cênicas, que, com precisão, saem de um pequeno quarto em direção ao universo, às ruas, às praças, praias e campos são a poética metáfora à vida de Camille, aos desencontros, ao seu amor incondicional pela vida, dela e dos outros, é um retrato rico de nossas próprias experiências, da necessidade de crescer e mudar. Mia Hansen-Love, inclusive deu uma entrevista recentemente falando um pouco sobre seus sentimentos em relação a Adeus, Primeiro Amor. Ela pode ser conferida na íntegra aqui.

Veja o trailer de Adeus, Primeiro Amor, em cartaz nos cinemas:

15 de dez de 2011

Jornalistas brasileiros elegem Cópia Fiel como um dos melhores filmes de 2011

Dez jornalistas e críticos de cinema foram convidados pelo UOL para falarem um pouco sobre os seus filmes favoritos de 2011.

Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami, que conta com a beleza e doçura de Juliette Binoche entrou para a lista com os 10 melhores filmes, a partir da escolha de preferência em uma das famigeradas listas. O destaque dado a Cópia Fiel também ficou por conta da brilhante atuação do cantor lírico britânico, novato nas telas, Willian Shimell. A trama nos conta a história de James Miller (Shimell), um filósofo que vai à Toscana apresentar um trabalho sobre o valor da cópia no meio artístico. O tema nos parece muito simples, até a chegada de James e o encontro com Elle (Binoche), uma francesa, dona de uma antiga galeria de arte e mãe de um pré-adolescente. Ao passarem a tarde juntos, começam a se conhecer e, certamente, mergulharem em um jogo de interpretações de personagens.

Em meio a tantas listas, elaboradas a convite do UOL, outros grandes lançamentos da Imovision não poderiam ter faltado; dentre eles estão Poesia, O Garoto da Bicicleta, Isto Não É um Filme e Tetro – indicados como melhores do ano em mais de uma lista.

Veja a lista completa dos melhores filmes de 2011 aqui.

Dicas de DVD - Incêndios

Um dos grandes destaques do Oscar 2011 chega às lojas do país no próximo mês. Incêndios, de Denis Villeneuve foi candidato ao prêmio de melhor filme estrangeiro na grande cerimônia cinematográfica que ocorreu em 2011. A produção foi vencedora do prêmio de melhor filme estrangeiro pela Associação dos Críticos de Boston no mesmo ano e foi consagrado pela crítica mundial, além da primorosa trilha sonora, que conta com Radiohead e  Grégoire Hetzel.

A história, que percorre um universo paralelo àquele já bem conhecido sobre as relações familiares é o foco de Incêndios, em um clima tocante, entre o drama e a guerra, além de dar uma ideia clara ao espectador sobre o que se passa no Oriente Médio atualmente. O início disto é a morte de Nawal Marwan (Lubna Azabal), mãe de Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim), irmãos gêmeos, que, com o falecimento da mãe, começam a descobrir importantes fatos sobre sua família. Com isto, descobrem que possuem um terceiro irmão e que, na verdade, o pai dos jovens não estava morto, como lhes era contado. Esta jornada, tida como parte dos últimos desejos de sua mãe os levam a uma busca por suas próprias identidades, pelo passado de sua mãe, chegando finalmente à Palestina. Enquanto Simon não aceita as instruções, mostrando-se claramente revoltado, a irmã procura seguir respeitosamente o que foi dito no testamento. Pouco a pouco, eles seguem os passos que os levam à impressionante biografia de sua mãe, em um ambiente marcado pela guerra e pelos conflitos religiosos além das tradições e da honra familiar. 

Em conclusão, Incêndios nos mostra como o ódio e a intolerância religiosa podem arruinar vidas alheias, como podem destruir famílias e indivíduos. É uma clara lição às sociedades contemporâneas, cercadas por conflitos inexplicáveis e, mesmo assim, contundentes em diversas culturas. Incêndios foi recebido com muita emoção, que se concretizou em forma de críticas de diversos jornalistas e do próprio público, mundialmente.

Veja o trailer de Incêndios, de Denis Villeneuve, que estará em breve à venda em DVD, distribuido pela Imovision:

14 de dez de 2011

Em Cartaz - Esses Amores e Para Poucos

O tema do amor livre é retratado de maneira bela e histórica em Esses Amores, de Claude Lelouch. O desejo e a paixão, as livres formas de amar, assim como retratados em Para Poucos, de Antony Cordier, que acaba de entrar em cartaz nos cinemas, são temas que, de fato, formam um cerco perante certos tabus impostos pela sociedade ocidental. 

No caso de Esses Amores, Ilva (Audrey Dana) é uma mulher livre, em plena Segunda Guerra Mundial, que se insere no contexto de uma França invadida pelo exército nazista. Como não poderia ser diferente, ela se apaixona por um soldado alemão, indiretamente ligado à morte de seu pai. Mesmo durante o julgamento pela morte do pai, Ilva continua determinada a viver novas experiências, se apaixonando desta vez por dois soldados americanos ao mesmo tempo. O ciúmes, as diferenças entre os dois e a incapacidade de Ilva em escolher um deles é o foco de um enredo que narra conflitos, desejos insaciáveis e tragédias, com um ar dramático da década de 40. 

Já em Para Poucos, a questão que engloba uma nova forma de encarar o relacionamento amoroso culmina em dois casais; Rachel (Marina Foïs) e Franck (Roschdy Zem), Vincent (Nicolas Duvauchelle) e  Teri (Élodie Bouchez). Eles estão dispostos a viverem um tipo de "quadrado" amoroso, eles se divertem e exploram tabus cuja sociedade recrimina dentro e fora das telas. A troca de casais é retratada de uma forma contemporânea, sensual e, ao causarem um típico choque ao espectador, levam a uma profunda reflexão sobre o que é o amor, o desejo e até que ponto é possível amar tão incondicionalmente a ponto de trair com o consentimento do parceiro. Uma temática de corpos em choque físico, de situações comuns que se entrelaçam no prazer de seus protagonistas, assim, mostrando um foco completamente novo, artístico ao que se consideraria "anormal" para uma sociedade moralista.

Esses Amores e Para Poucos estão nos cinemas, veja os trailers:

13 de dez de 2011

Em Breve - O Porto

A mais nova produção do cineasta Aki Kaurismäki mostra um horizonte peculiar sobre a vida dos imigrantes ilegais na Europa. Ao contrário das tensões presentes sobre este tema, como retratado em O Silêncio de Lorna, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, o cineasta finlandês coloca a questão de uma forma singela e carinhosa, contando a história de um menino africano que chega à Le Havre, uma cidade portuária e, nesta situação, seus habitantes precisam ter compaixão para que possam entendem o universo dos estrangeiros em uma nova terra. 

Aki Kaurismäki, o diretor, se diz extremamente interessado em retratar este mundo, sem luxos nem ostentação. Ele próprio já pensa em Le Havre (nome original) como a primeira parte da sua trilogia, denominada "The Harbor Town Trilogy" (a trilogia da cidade do porto, literalmente); nesta trilogia, o seu segundo filme já até possui nome, "The Barber of  Vigo" (O Barbeiro de Vigo), falando sobre uma cidade portuária da região da Galiza. 

Para ser mais exato, O Porto conta a história de Marcel Marx, um ex-escritor que agora trabalha como engraxate. Ele se preocupa em proteger o jovem Idrissa, um garoto africano que chegou a Le Havre escondido em um container, ao mesmo tempo em que ajuda sua esposa na luta contra um câncer. Nisto, o detetive Monet (referência clara ao artista impressionista), procura por respostas relacionadas ao garoto. Fica evidente que a frieza da  vizinhança é logo derrubada em prol da igualdade de direitos e de uma bonita esperança que toma conta de todos que convivem com Marx. Trata-se de um ponto de vista completamente peculiar sobre a difícil questão que se pauta na xenofobia e na imigração. 

O Porto, de Aki Kaurismäki é um forte candidato à concorrer o Oscar 2012, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e será lançado pela Imovision no primeiro semestre de 2012. 

12 de dez de 2011

Mais um prêmio para "A Separação" de Asghar Farhadi

O American Film Institute (AFI) junto ao grupo de críticos de Los Angeles e de Boston, elegeram A Separação de Asghar Farhadi, como melhor roteiro de 2011.
A Separação já vem arrecadando prêmios desde o Festival de Berlim deste ano quando, despretensiosamente, se tornou o primeiro filme da história a levar para casa três Ursos, sendo dois de prata para melhor ator e atriz e o de ouro, prêmio máximo de melhor filme do festival.

Desta vez o American Film Institute (AFI) junto ao grupo de críticos de Los Angeles e de Boston, elegeram A Separação de Asghar Farhadi, como melhor roteiro de 2011.
A Separação conta a história da separação de Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami), um casal diferente dos que estamos acostumados a imaginar no Irã: Nader um marido compreensivo e não machista, aceita em ceder o divórcio a Simin, que quer deixar o país junto a ele e sua filha porque não quer que a garota cresça no Irã. Porém, seu pai é um idoso que sofre de Alzheimer em estágio avançado, que necessita de seus e por este motivo ele não aceita deixar o país e abandoná-lo. Nader é obrigado a contratar uma diarista - sem o aval de seu marido, e grávida - para tomar conta de seu pai enquanto trabalha. Diante disso uma série de acontecimentos seguidos de problemas caem sob a família.
A Separação, de Asghar Fahradi é o escolhido do Irã como representante no Oscar 2012, e aparece em 1º lugar nas especulações dos prováveis indicados como melhor filme estrangeiro.

Confira os prêmios que Asghar Farhadi já recebeu até agora por A Separação:

Festival de Berlim em 2011
Primeiro filme na história a receber três Ursos: dois de prata (de melhor ator e melhor atriz), prêmio do juri ecumênico e prêmio máximo Urso de Ouro de melhor filme. 

Fajr Internacional Film Festival do Irã
Melhor diretor, melhor roteiro, melhor longa-metragem e prêmio da audiência.

Festival de Tribeca
Melhor filme.

Amazonas Film Festival
Melhor filme.

Asia Pacific Screen Awards 2011
Melhor filme.

Durban International Film Festival (África do Sul)
Melhor filme e melhor roteiro. 

Fukuoka International Film Festival
Prêmio da audiência.

Melbourne International Film Festival
Longa-metragem mais popular. 

NYFCC Award
Melhor filme estrangeiro. 

Pula Film Festival
Melhor filme na competição internacional. 

Riga International Film Forum Arsenals
FIPRESCI Prize na competição internacional. 

San Sebastián International Film Festival
Prêmio Outro Olhar.

Sydney Film Festival
Melhor Filme.

Yerevan International Film Festival
Prêmio Grand Prix - Golden Apricot de Melhor Filme. 

National Board of Review 
Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.

A Separação estreia nos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2012.

Cine Nostalgia - Philippe Garrel

Nesta semana, o Cine-Nostalgia prestigia o cineasta francês Philippe Garrel, conhecido por obras que mantém uma relação muito profunda entre as artes e os relacionamentos amorosos, além do fato de ser pai do ator-símbolo Louis Garrel, o qual frequentemente atua em suas produções, além das locações belíssimas, com cenários que levam os espectadores aos mais insólitos cantos da capital francesa. 

Amantes Constantes mostra uma Paris revolucionária, personalizada pelo jovem François e Lilie, uma bela garota. Em meio a esse clima, a cidade ganha um ar cheio de tentações e revoltas, típicas de uma juventude que vive Maio de 68 na França. Em Amantes Constantes, Philippe Garrel se apropria de ambiguidades para mostrar um movimento único de seu universo. O jovem artista é cercado por este mundo de constantes mudanças; percebe que, a sua volta, aqueles que convivem consigo são obrigados a tomar decisões individualistas e oportunistas, o que inclui a jovem Lilie, capaz de abdicar de um amor puro em razão de um mundo de novos caminhos e dinheiro. Philippe Garrel trabalha, especialmente, a estética corporal, onde o ponto de vista amplo se minimiza em função dos olhares, dos movimentos mínimos, do toque. Enquanto esta relação acontece, o cenário de conflito entra como pano de fundo para a ação que evoca a um realismo muito conhecido em um sistema subordinado ao capital. 

Em A Fronteira da Alvorada, o cineasta retoma a temática artística, colocando em cena, obviamente, Loius Garrel; desta vez, um jovem fotógrafo, mais uma vez, um jovem François, que se apaixona por uma bela, desta vez Carole, evidenciada com toda a beleza de uma musa, provando assim que existe, de fato, a paixão de um fotógrafo pela imagem e sua personificação. O cenário é rico e a estética da beleza vigora a todo momento, contando com a particularidade corporal que persiste no desenvolvimento de suas personagens. Carole é casada, seu marido está nos Estados Unidos. Neste contexto, François se entrega a uma paixão evidente pelo belo. Com a volta do marido, decide-se então pelo fim destes encontros e, a deixa para o jovem é o relacionamento com Ève, mulher que pode lhe garantir o conforto de uma vida estável. O drama parece nos dar as diretrizes de um final comum, uma frustração apagada por um novo amor, entretanto, o semblante emblemático de Carole persiste, atormentando profundamente o fotógrafo. A paixão estética, neste contexto é o primordial, ou seja, é responsável pelo desenvolvimento de toda a ação da obra, é o que impulsiona as personagens a dar continuidade à história, é o que torna a produção especialmente sublime.
Philippe Garrel Actor Louis Garrel and director Philippe Garrel attend the La Frontiere De L'Aube Photocall at the Palais des Festivals during the 61st International Cannes Film Festival on May 22, 2008 in Cannes, France.
Philippe Garrel chega agora com Um Verão Escaldante, dando continuidade a seu trabalho de perspicácia estética, de beleza sublime e de um foco artístico único, que emoldura toda a ação enaltecedora deste cinema francês.