9 de nov de 2011

Em Breve - Cairo 678 e As Neves do Kilimanjaro


Após a 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o diretor Robert Guédiguian, já conhecido por filmes como Lady Jane e Armênia, retorna em um ritmo mais intenso. As Neves do Kilimanjaro foi um sucesso absoluto em sua exibição no festival, agradando ao público e à crítica. Em sua mais recente produção, Guédiguian conta a história de Michael, um homem desempregado que leva uma vida feliz com sua esposa, Marie-Claire, interpretada por Ariane Ascaride. Eles são casados há mais de 30 anos e convivem harmoniosamente com filhos e netos, além de estarem sempre cercados de amigos próximos. Além disso, o casal se orgulha de sua luta política e dos valores morais os quais acreditam. Tudo parece perfeito, induzindo os espectadores a acharem que este é mais um filme adocicado. O que o público não espera é que Robert Guédiguian sempre possui uma carta nas mangas e, esta provável harmonia é sempre desmistificada com uma surpresa. No caso de As Neves do Kilimanjaro, esta surpresa se deve ao destino do casal, cuja felicidade se interrompe ao passo que são surpreendidos por homens armados e mascarados, que os atacam violentamente e levam todo o dinheiro que Michael e Marie-Claire haviam guardado para fazer uma viagem ao Monte Kilimanjanro.


Nesta narrativa típica de Guédiguian, com conflitos e grandes choques ao espectador, o casal protagonista também é levado ao choque quando descobrem os autores do ataque. Uma verdadeira obra de suspense, aos moldes de um consagrado diretor que, nos mais diversos assuntos, consegue prender a atenção de seu público e levá-los ao extremo de suas emoções. 

Em breve também, uma experiência única proporcionada aos espectadores é a nova obra de Mohamed Diab. É do conhecimento de todos que existem marcantes produções que retratem o sofrimento da mulher no mundo árabe, porém, o que o público não espera é exatamente o que se mostra em Cairo 678, uma obra que mostra aos espectadores uma nova visão sobre a violência contra a mulher nestes países, o viés utilizado pelo diretor se foca completamente ao transporte público no Egito, ou seja, o 678 faz alusão ao ônibus que três mulheres egípcias utilizam diariamente, expondo os problemas vividos por elas neste tipo de transporte, onde são, não raramente, vítimas de abuso sexual e até mesmo estupro. Cairo 678 conta, de uma maneira inovadora, a história de mulheres que lutam diariamente por justiça e pelo fim da violência sexual em seu país. Uma obra impressionante, que dá ao público uma visão de proximidade, ligando-se especialmente ao cotidiano daquelas mulheres que, em qualquer lugar do mundo, também sofrem com este tipo de violência. 

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