3 de nov de 2011

Em Adeus, Primeiro Amor, a dor da perda é sublime

Em Adeus, Primeiro Amor, de Mia Hansen-Løve, a juventude é colocada lado a lado com as dores do amadurecimento. O universo adolescente, proposto por Hansen-Løve é, de fato, um amplo tecido a ser trabalhado, de forma única, a diretora mostra uma história comum, que poderia  ter acontecido a qualquer um de seus espectadores nos anos da juventude. E exatamente por este viés que o relacionamento amoroso é colocado em prática na produção, de maneira muito real, a forma como os jovens lidam com seus sentimentos, alguns mais profundamente e, outros, apenas um tanto banais.

É neste contexto que Hansen-Løve conta a história de Camille (Lola Créton) e Sullivan (Sebastian Urzendowsky), dois jovens que vivenciam pela primeira vez o sentimento do amor, aquele primeiro amor que, para a maioria do seu público, nunca será esquecido. Na França, os jovens (ela aos quinze anos e ele, um pouco mais velho) vivenciam um relacionamento único, ao mesmo tempo inocente e despretencioso, mas também bastante maduro para a idade deles.

No momento em que Sullivan decide deixar o país, levando-se em conta que também deixará Camille, os sonhos da jovem caem por terra, fazendo-a se limitar a doses de nostalgia, fidelidade, encontrando-se a uma dor sublime, que a levará a um novo mundo, onde é importante, especialmente, refletir sobre toda a sua experiência de vida.
Passam-se alguns anos, não há mais notícias de Sullivan. Camille agora não é mais uma adolescente, mas sim uma estudante de arquitetura, que, muito mais madura, procura um sentido e estabilidade para sua nova vida. Neste contexto, surge Lorenz (Magne Havard Brekke), um famoso arquiteto que pode dar a jovem tudo o que ela busca para seu futuro. Tudo parece caminhar conforme o planejado para a jovem Camille, até o reencontro com Sullivan.
Em sua terceira obra, Mia Hansen-Løve mostra, mais uma vez, a sua sensibilidade única, com a delicadeza do ponto de vista feminino. Os altos e baixos são frequentes em Adeus, Primeiro Amor, uma metáfora muito sutil ao verdadeiro significado que os sentimentos possuem nesta fase da vida para os jovens, que, de certa forma, encontram um refúgio no outro e, ao mesmo tempo, lutam para tentar entender o que todas as novidades em suas vidas realmente significam. O jogo de altos e baixos se confirma com os ambientes propostos pela filmagem, onde cidades e países, salas de aula e escritórios, quartos fechados e campos gramados nos propiciam um retrato riquíssimo do que cada um vivencia com suas próprias experiências de vida, a todo o momento.

Adeus, Primeiro Amor tem estreia prevista para 2 de dezembro.

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