13 de out de 2011

Em resposta à ideias preconcebidas sobre o cinema brasileiro, Luiz Carlos Merten defende "o país" de André Ristum

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema e colunista do Estado de São Paulo, em resposta à alguns jornalistas que de forma equivocada criticaram Meu País de André Ristum com argumentos que não se sustentam, escreveu hoje (13 de outubro) uma crítica sobre o filme o classificando quatro (4) estrelas e 'ótimo', com louvor.
Clique para ler a crítica no blog do Merten
Muito foi falado por estas críticas negativas à respeito de certa elitização do cenário brasileiro, ou falta deste "retrato real" de nosso país, como a falta de 'empregados' na casa do falecido Armando (Paulo José), onde fica hospedado Marcos (Rodrigo Santoro) e Giulia (Anita Caprioli) junto a Tiago (Cauã Reymond); a falta de favelas e da realidade vivida pela grande maioria dos brasileiros (realidade esta que também, muito provavelmente, não é a que vivem os críticos de cinema no Brasil).

Falou-se também à respeito do isolamento da casa de Armando que o filme de André Ristum demonstra, e como esse isolamento é buscado pela elite brasileira, sem sucesso. Acontece que, se pararmos pra pensar, o isolamento se dá propositalmente, e o jeito como o filme acontece e se mostra ao espectador, nos permite focar no que interessa ao diretor: Os personagens e a situação incômoda em que se encontram.
Merten rebate a ideia de que "não se vê a necessidade de abstrair por completo a paisagem externa para fixar-se nas turbulências de alma dos personagens.", pois o próprio nome "Meu País" já entrega a intenção de Ristum a focar-se no país de Marcos, país 'interno' e turbulento com todos os problemas que enfrenta ao chegar no Brasil. O país em si poderia ser qualquer país.
Ao falar que "O real não precisa ser uma interferência indesejada pelo cinema, uma poluição a ser evitada. Pelo contrário, o filme lucraria com essa contaminação." acaba soando como a não compreensão do filme por quem o criticou, pois o cenário do Brasil retratado de forma literal, muito pouco (re)conhecido por Marcos que há muito tempo não o visitava, quebraria completamente o clima sóbrio, e muitas vezes tenso, criado pelos personagens e por todos os sentimentos que transbordam em cada um deles. Se esse fosse o caso, o nome do filme seria "Nosso País", e não "Meu País".

Nenhum comentário: