6 de fev de 2012

Há 80 anos nascia François Truffaut, um dos maiores nomes do cinema francês

Há 28 anos atrás morria François Truffaut, ícone fundador da Nouvelle Vague na França, juntamente ao amigo - inimigo - Jean-Luc Godard
François Truffaut (06 de Fevereiro de 1932 — 21 de Outubro de 1984)
Truffaut, crítico com 27 anos, recebeu o prêmio de melhor diretor em Cannes em 1959 por Os Incompreendidos. O mais interessante sobre este fato era saber que este prêmio, recebido em um dos mais importantes festivais foi entregue a ele, cineasta - até então crítico - que não aprendera a técnica de fazer filmes em escolas ou praticando em estúdio e sim passando diversas horas de sua vida assistindo a filmes.

Crítico da revista Cahiers du Cinéma - junto a Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Jacques Rivette e Eric Rohmer - e a partir de Os Incompreendidos e Acossado, em Paris começava a "nova onda" cinematográfica, mais conhecida como Nouvelle Vague, que tinha como pressuposto renovar a "velha guarda" do cinema francês.
Jean-Luc Godard e François Truffaut: Dois amigos e uma onda.
(nome atribuído ao documentário de  Emmanuel Laurent em inglês)
A "nova onda" do cinema francês trazia como seus precursores Truffaut, o poeta apaixonado pelas mulheres e pela literatura e Godard que construía seus filmes muitas vezes a partir da desconstrução de outras obras, que tinha um apelo político, revolucionário e radical, diferenças que no decorrer do movimento eram evidenciadas e distanciava os dois autores.

O choque que Godard desejava causar à platéia incomodava Truffaut, que entre 1962 e 1965 fez apenas um filme - Angústia (1964) - enquanto Godard realizou oito longas. As diferenças entre os diretores não eram explícitas, mas visívelmente vinham transparecendo em cada obra e a cada declaração.

Em 1968 a vida dos dois cineastas foram atingidas pela divergência política, quando Godard queria aderir à luta dos estudantes no festival de teatro de Avignon, enquanto Truffaut se recusava a ficar do lado do que ele chamava de filhos da burguesia que lutava contra a polícia que vinha principalmente da classe operária.

Esta situação foi suficiente para que Godard declarasse Truffaut "traidor" e se afastasse do cinema - de 1968 até 1973 - enquanto, dessa vez, François realizava mais sete filmes.
Cena de Os Incompreendidos (1959) de Truffaut, filme considerado o início da "nova onda" francesa. 

Após o sucesso de A Noite Americana de Truffaut, Godard pediu a ele dinheiro para que realizasse seu filme-resposta àquele, já que acreditava que o longa de Truffaut fora um dinheiro mal gasto em uma superprodução e recebeu um não como resposta. A partir disto o rancor entre os dois contribuintes da era de ouro do cinema francês só foi ficando mais agudo. 

Entre cartas e declarações ofensivas e uma certa obsessão de ambos em criticarem os filmes, um do outro, dentro de seus próprios filmes - mantinham assim um constante "diálogo" - François Truffaut e Jean-Luc Godard jamais se encontraram ou se falaram novamente.

Com a morte de Truffaut de tumor cerebral em 1984, Godard se manifestou declarando seu pesar: "Houve Diderot, Baudelaire, Élie Faure, André Malraux, e François... E não houve mais nenhum outro crítico de arte."

O documentário Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, dirigido por Emmanuel Laurent, lançado em 2010 em homenagem aos 50 anos do movimento, narra a história da mais turbulenta e genial era do cinema francês a partir da difícil relação entre Truffaut e Godard, seus dois maiores expoentes.

Hoje, 06/02 o cineasta François Truffaut faria 80 anos de idade e deixou um legado de 35 filmes que escreveu e 17 que dirigiu.
Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague já está nas lojas e locadoras.

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