7 de fev de 2012

Saiba por que "A Separação", de Asghar Farhadi é um dos 250 melhores filmes já feitos

O iraniano Asghar Farhadi é um diretor desde sempre notável. Seu primeiro longa-metragem foi feito em 2003 chamado Dancing in the Dust e chamou atenção dos críticos e público, quando recebeu por este três prêmios em pequenos festivais - dois no 'Asian Pacific' Film Festival e um no Fajr Internacional Film Festival no Irã.
Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moaadi) são os protagonistas da separação.
O acumulo de prêmios do diretor se prolongou em seus dois filmes seguintes, Linda Cidade e Fireworks Wednesday, que acarretaram mais seis títulos para a coleção do iraniano.

Em 2009 Farhadi produziu uma pequena obra-prima intitulada Procurando Elly, que seguiu o mesmo percurso de seus outros três filmes, porém chamou muita atenção para este diretor (até então desconhecido) que, despretensiosamente, levou para casa o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, melhor diretor e prêmio da audiência no Fajr Internacional Film Festival do Irã, Melhor Filme no Festival de Tribeca, e selecionado por seu país como representante no Oscar que, numa falha da seleção da Academia, não figurou sequer os finalistas concorrentes à estatueta de melhor filme estrangeiro.
Em A Separação (Jodaeiye Nader Az Simin), não poderia ser diferente: O filme recebeu o prêmio de melhor diretor, melhor longa-metragem e prêmio da audiência no Fajr Internacional Film Festival do Irã, e saiu vencedor do prêmio do júri ecumênico, do júri Leitor do Berliner Morgenpost, Urso de prata de melhor ator e atriz, do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2011 - sendo o primeiro filme da história a levar para casa três Ursos no festival - vencedor do Globo de Ouro em 2012 como Melhor Filme em Língua Estrangeira e indicado ao Oscar 2012 na mesma categoria (Melhor Filme em Língua Estrangeira), também como Melhor Roteiro Original e classificado pelo IMDb na 70ª posição no ranking dos melhores 250 filmes já feitos

A Separação, que foi exibido no Festival Internacional do Rio no Brasil estreou nos cinemas em 20 de  janeiro de 2012, conta a história da separação de Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami), um casal diferente dos que estamos acostumados a imaginar no Irã: Nader um marido compreensivo e não machista, aceita em ceder o divórcio a Simin, que quer deixar o país junto a ele e sua filha porque não quer que a garota cresça no Irã. Porém, seu pai é um idoso que sofre de Alzheimer em estágio avançado, que necessita de seus e por este motivo ele não aceita deixar o país e abandoná-lo.
Hodjat (Shahab Hosseini), marido da diarista Razieh (Sareh Bayat)
Simin sai da casa, mas deixa sua filha Termeh (Sarina Farhadi) com Nader, que é obrigado a contratar uma diarista para tomar conta de seu pai enquanto trabalha, e aí começam os problemas: Razieh (Sareh Bayat) é contratada sem o aval de seu marido Hodjat (Shahab Hosseini), e para agravar a difícil situação, está grávida. Um dia, ao retornar do trabalho, Nader encontra seu pai com as mãos amarradas à cabeceira da cama caído no chão, quase sem oxigênio, e para sua surpresa a diarista não está na casa. Quando esta retorna, Nader enfurecido a expulsa de lá, e devido a sua relutância em permanecer, empurra Razieh para fora, que acaba perdendo o bebê.

Diante disso uma série de problemas caem sobre a família: Nader é processado e atormentado pelo marido da diarista, e aos poucos os personagens são colocados uns contra os outros por situações que, na verdade, não existem efetivamente culpados.
Justiça, política, religião, moral, tudo acaba sendo discutido pelo diretor Asghar Farhadi neste roteiro incrivelmente impecável, que leva o espectador a refletir sob diversos pontos de vistas, onde tudo na verdade é uma questão de direcionamento do olhar, e constata que Asghar Farhadi se consagra por este trabalho como um dos maiores diretores contemporâneos por essa fascinante obra-prima do cinema iraniano.

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