16 de jan de 2012

Cine Nostalgia - Kim Ki-duk

O cineasta sul-coreano é atualmente um dos maiores expoentes da vanguarda cinematográfica que vem acontecendo no país. O homenageado de hoje no Cine Nostalgia, Kim Ki-duk é um exemplo único, pois não teve uma formação direta como cineasta, vindo de uma família operária e iniciado na carreira como diretor e roteirista em uma idade tardia para os padrões, aos 33 anos, após um curso de artes plásticas em Paris.
Autor de diversas produções de nível sensorial experimental, devido a seus ritmos diferenciados, proporcionados por um método peculiar de cinema, Kim Ki-duk revolucionou os filmes em seu país, seja pelas pausas propositais, pela sutil violência ou até mesmo por mostrar um lado obscuro da sociedade sul coreana, marcada pela marginalidade e criminalidade urbana. Esta percepção é o mote de Ki-duk para que possa formar um espelho que reflete imagens culturais contemporâneas do universo oriental, no qual se ambientam as obras do diretor

Em seu belíssimo Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera, Kim Ki-duk nos dá uma aula de paciência, até mesmo pelo nome escolhido para a produção, ambientada em um lago isolado, onde um monge vive em um pequeno templo flutuante. Nesta prova de vida, o seu pupilo também aprende sobre o mundo, enquanto, basicamente, vê lições conforme passam as estações do ano. Seus espectadores, encantados com a beleza filosófica, saem maravilhados com o espetáculo visual proposto por Ki-duk.

Já em Casa Vazia, o diretor decide contar a história de um maltrapilho que invade uma casa e decide viver nela enquanto seus donos estão fora. Conseguindo sua hospitalidade, após realizar pequenos consertos ou limpando as casas, o protagonista chega a uma casa, cujo dono está viajando, porém, sua esposa permanece. Nasce então uma relação peculiar, onde estranhos, sem trocar sequer uma palavra, tentam fugir das vidas que levam, decidindo invadir novas casas para isso. O tema de Casa Vazia pauta-se no polêmico, no indício do adultério e nas tristezas de uma vida conjugal infeliz, que pode ser transformada por um estranho qualquer. 

E deste modo, inovador, Kim Ki-duk é um exemplo único de cineasta, com uma história de vida própria e uma produção cinematográfica de extremos. 

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