23 de jan de 2012

Cine Nostalgia - Amos Gitai

Nesta semana, o diretor israelense Amos Gitai mostra a seus espectadores uma visão de grande particularidade acerca de questões delicadas vividas pelo seu país de origem, habilmente confrontado pelas questões individuais, as quais imperam um sentimento único enfrentados por personagens profundas e singulares.

Nota-se em Amos Gitai uma experiência de vida marcada exatamente pela situação política e social de Israel em meados da década de 70; formado em Arquitetura, o famoso diretor teve uma participação intensa durante o período da Guerra do Yom Kippur. Uma das situações de maior tensão vivida por Gitai foi na ocasião de seu 23o aniversário, no ano de 1973, quando em missão militar, seu helicóptero fora atingido por um míssil sírio. Durante este período, também foi marcado por seu primeiro contato com a arte cinematográfica: sua mãe lhe presenteara com uma câmera de 8mm, a mesma que Gitai utilizou durante seus anos no front para filmar o que lhe desse vontade. Por tal razão, é possível que atualmente se note uma tendência de alusões críticas ao uso descomunal do arsenal militar nacional durante as épocas de tensão internacional entre Israel e seus vizinhos do Oriente Médio.

Em Aproximação, que é distribuido em DVD pela Imovision, o diretor coloca em cena uma grande estrela do cinema atual: Juliette Binoche, em uma trama que entrelaça a tensão política de Israel com uma questão familiar, de caráter pessoal e intimista. Binoche faz o papel de uma mulher francesa de origem israelense, que após a morte do pai, acaba saindo de sua casa em uma jornada de busca a sua filha, a qual fora abandonada na adolescência. Esta busca a faz chegar à Gaza, exatamente no período de desocupação das tropas israelenses. Mais uma vez, Amos Gitai coloca em pauta a velha ferida existente entre israelenses e palestinos, já que o grande mote desta produção se baseia na sutileza dos questionamentos mais profundos existentes em ambos os lados da fronteira – especialmente reproduzido no breve diálogo sobre o significado de nacionalidade. Nesta cena, Uli, o irmão israelense de Ana (Binoche) encara sutilmente um oficial, garantindo que o seu passaporte não tem valor, que é “algo abstrato, não delimitado fisicamente”.

Consagrado como um dos grandes cineastas do gênero político, Amos Gitai conta histórias reais a um povo que convive com a mais dura realidade todos os dias. Assim como em “Dia do Perdão”, “Free Zone”, dentre outros, o foco do diretor não se prende apenas em um panorama político assustador e verdadeiro, mas também na vivência humana e em um toque sutil de esperança em meio ao caos cotidiano desta constante batalha entre judeus e muçulmanos, israelenses e árabes, em um local que nos parece tão distante, porém nos faz aproximar de nossas próprias convicções.

Nenhum comentário: