21 de nov de 2011

Cine Nostalgia - Mika Kaurismäki

Tal qual Jean-Pierre e Luc Dardenne, a família Kaurismäki também está diretamente ligada à arte cinematográfica. Em um interessante processo, o diretor Mika Kaurismäki realiza produções de peculiar estilo, que mesclam especialmente suas experiências diversas em diversos locais do mundo. Mika Kaurismäki, inclusive, possui forte ligação com o Brasil, país que escolheu para viver desde 1992. Por tal ligação, o diretor realizou diversos longas com uma temática tipicamente brasileira, sob a perspectiva de um finlandês. 

Através de sua visão única, Kaurismäki trata as relações pessoais com um tom, ao mesmo tempo, acinzentado - cenário típico de suas produções - e profundamente sarcástico. Nesta seleção, Três Homens e uma Noite Fria (Kolme Viisasta Miestä) e O Ciúme Mora ao Lado (Haarautuvan rakkauden talo) são exemplos muito claros desta ironia muito bem elaborada sobre  profundas questõesdo que diz respeito aos sentimentos humanos, as instituições que os rodeiam e como lidam com os problemas de seus relacionamentos frustrantes.
Em Três Homens e uma Noite Fria, Mika Kaurismäki conta a história de três homens comuns, que atrás de suas fisionomias cinzentas e frias, mostram, através de variadas situações, que ainda possuem um coração que sofre. É assim que Kaurismäki mostra a questão da masculinidade em seus personagens, especialmente pelas questões culturais finlandesas, o semblante frio das três personagens é o foco de um relacionamento entre amigos que não se veem durante anos e decidem se encontrar em um bar para se embebedarem na noite de Natal - cada um com seus próprios motivos: Matti (Pertti Sveholm) é um policial de 50 anos que acaba de se tornar pai; Erkki (Kari Heiskanen) é um galã com uma doença desconhecida e Rauno (Timo Torikka) é um homem que vai à França atrás de seus sonhos ao memo tempo em que abre mão de sua família desestruturada. Em meio a tal desilusão, eles cantam sobre o sofrimento e a miséria humana, regados a álcool, em um retrato irônico, peculiar sobre a amizade.
Já em O Ciúme Mora ao Lado, uma trama cotidiana adquire um humor satírico de intensa profundidade. Um casal, formado por Tuula (Elina Knihtilä) e Juhani (Hannu-Pekka Björkman) decide finalmente pela separação, pensada primeiramente de forma pacífica. O entrave que molda a trama é a dificuldade do casal recém-divorciado em conviver sob o mesmo teto até que a sua residência seja finalmente vendida. Com este cenário pouco usual, Tuula e Juhani são levados a uma verdadeira guerra de egos: ela se une a um carismático piloto de avião e, ele, se vinga contratanto uma prostituta para se passar por sua nova amante. Diante deste cômico conflito, começam a aflorar os verdadeiros sentimentos. Mika Kaurismäki revela, aos poucos, um ponto de vista em suas filmagens que denota a particularidade das ações e emoções de suas personagens, as quais poderiam muito bem ser parentes, vizinhas de seus espectadores. Uma comédia à finlandesa, com um lado gelado e uma percepção de vida completamente única, levada ao público por um viés que encontra o tema universal que cerca as relações pessoais. 
Irmão de Mika, o também diretor Aki Kaurismäki já envolve seus espectadores em mais uma trama surpreendente: O Porto (Le Havre) mostra a visão dos imigrantes ilegais na Europa, em uma trama que, mais uma vez tratando dos sentimentos que vigoram as relações humanas, se dá pelo ar divertido e doce de um lugar cinzento que se colore pela alma de seus moradores. 

Veja os trailers de Três Homens e uma Noite Fria e O Ciúme Mora ao Lado:


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