27 de out de 2011

Filme retrata amor, terrorismo, e a relevância dos movimentos que, ainda hoje, reivindicam mudanças

O novo filme de Andrés Veiel Se Não Nós, Quem? traz à tona a origem do grupo terrorista de maior influência na Alemanha em 1960, o Baader-Meinhof, mais tarde denomidado Red Army Faction (RAF) fundado por Andreas Baader e Gudrun Ensslin.
O filme inicialmente conta a história de amor de Bernward Vesper, interpretado por August Diehl (de Bastardos Inglórios) e Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis): Um conturbado romance permeado a princípio por uma grande devoção a Will Vesper, pai de Bernward, autor alemão de sucesso no início do século XX que integrou efetivamente o partido nazista, o qual Gudrun e Bernward - também escritor - tentam reviver através de republicações de suas obras.

Bernward e Gudrun representam a primeira geração de filhos dos nazistas, com a culpa e questionamento como resquícios de suas descendências, e uma enorme vontade mudança até então ignorada por eles dois.

Se Não Nós, Quem? nos transporta para essa tensão e revolução - tanto política, como social e sexual - latente vivenciada na Alemanha nos anos 1960, principalmente quando num movimento extremamente paradoxal o Partido Social Democrático Alemão concorda em formar uma aliança com a União Democrática Cristã, gerando inconformismo geral, e no casal, que com ânsia de mudança aderem ao Movimento de Oposição Extra Parlamentar.
A revolta social e política aderida por Bernward e Gudrun se extende ao mundo todo, desde protestos de estudantes, até o Movimento dos Panteras Negras nos Estados Unidos.

Em uma dessas reuniões, Gudrun conhece Andreas Baader - Alexander Fehling, também de Bastardos Inglórios - e são eles os futuros fundadores do grupo terrorista Baader-Meinhof, o qual Bernward simpatizava, mas não se tornou ativista como Gudrun e Andreas.
Em Se Não Nós, Quem? o diretor Andrés Weiel toca em ponto chave nos dias de hoje: O filme não retrata a violência em si, e sim o protesto, o desejo de mudança contido em alguns grupos insatisfeitos com o sistema político imposto. Obviamente, em um diferente contexto, mas como vimos acontecer em alguns lugares do mundo - não no Brasil - há não muito tempo, aparentemente esta havendo certa re-politização das pessoas, mas de maneira inversa daquela mostrada em Se Não Nós, Quem?, já que os protestos aconteciam decorrente a ditadura nazista, e agora acontecem talvez devido ao acomodo geral da população.

Porém, tanto na forma de dominação ditatorial, quanto na acomodação geral das pessoas causada pela prioridade do indivíduo decorrente da modernidade - capitalismo avançado - acaba levantando o questionamento Se Não Nós, Quem? naqueles que saem as ruas a favor de mudanças.
Lena Lauzemis é Gudrun Ensslin
Lena Lauzemis, que interpreta a ativista social Gudrun Ensslin, chega ao Brasil amanhã para a apresentação do filme Se Não Nós, Quem? exibido na 35ª Mostra internacional de Cinema de São Paulo, domingo às 21h20 no Reserva Cultural.

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