8 de mar de 2012

"Cairo 678": Filme que abalou o Egito ao retratar a condição da mulher numa sociedade machista

Hoje é comemorado o dia internacional da mulher, e em homenagem a esta importante data que tem como origem as manifestações das mulheres por melhores condições de vida e trabalho, o filme Cairo 678, de Mohamed Diab, estreia nesta sexta-feira (09 de março) nos cinemas brasileiros.
O longa narra a trajetória de três mulheres de diferentes classes sociais, porém oprimidas física e psicologicamente pelo universo predominantemente machista no Egito.

Seba, uma garota moderna para os padrões culturais daquele país que acaba sendo violentada em um jogo de futebol. A partir disso, ela rompe esse silêncio se tornando ativista de seus direitos e ensinando auto-defesa à outras mulheres que, assim como ela, foram molestadas de alguma forma. Uma segunda história narrada é a de Fayza uma dona de casa que segue rigidamente as tradições nacionais, porém, não a deixa imune contra o assédio sexual que é vítima todos os dias em um ônibus quando volta para casa. O círculo se forma com Nelly, uma comediante que, após uma intensa luta, torna-se a primeira mulher no Egito a processar alguém por abuso sexual.
Em uma sociedade como o Egito as mulheres condenam as outras muito mais do que os próprios homens, por medo das consequências que podem sofrer ao se manifestarem, tornando, assim, o ato da violência contra as mulheres uma espécie de cenário submundano, em que apenas as que vivenciam podem saber. Mesmo as leis contra a violência doméstica e sexual existindo, esses recursos acabam sendo pouco utilizados pelo medo e a insegurança que tomam conta da vida daquelas que sofrem em silêncio. E é daí a importância do filme de Mohamed Diab, o diretor que chocou o Egito e expôs a condição da mulher na sociedade em que vive.
"De acordo com as estatísticas, 83% das mulheres egípcias admitem que já tiveram uma experiencia de assédio sexual. Depois de apresentar o filme pelo mundo fora, descobri que não é um problema exclusivo ao Egito, mas algo que acontece a mulheres de todos os cantos do mundo." - Mohamed Diab.
Cairo 678 fala sobre o silêncio. Fala sobre o trajeto de três mulheres que quebram este silêncio e fizeram justiça com as próprias mãos. E é com esse filme, feito por um homem que vive nesta sociedade, que a Imovision homenageia não só estas mulheres, mas a todas as que ousaram e ousam ir contra uma realidade a fim de quebrar alguns tabus e modificar a mentalidade de uma sociedade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Maravilhoso e imperdível, pela forma sensível de tratar uma situação tão complexa.