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28 de mar. de 2012

Febre do Rato: Poema em tela

O mais novo filme do pernambucano Cláudio Assis (Baixio das Bestas, 2006) Febre do Rato será distribuído pela Imovision nos cinemas.

Com uma fotografia sensível e detalhista, o longa narra a história do poeta Zizo (Irandhyr Santos) e o mundo de abismos em que vive no Recife. Alimentado de poesia e da publicação da fanzine Febre do Rato que, para ele, serve como porta voz dos inquietos e agoniados, Zizo vive de inconformismo e em constante luta contra os interesses das classes dominantes. 

Quando conhece Eneida, uma jovem que desacredita nas convicções do poeta e não cede à sua inteligência e encanto. Aos poucos Zizo vai ficando mais instigado, insatisfeito com ele mesmo e suas certezas começam a tornar-se dúvidas. Febre do Rato é uma expressão popular típica da cidade do Recife que designa alguém quando está fora de controle, alguém que está danado. 

 O filme de Cláudio Assis abriu o Festival Janela Internacional de Cinema do Recife no ano passado e com 8 prêmios incluíndo o de melhor filme, ator e atriz e de crítica, foi o grande vencedor do 4º Paulínia Festival de Cinema. Febre do Rato estreia em 22 de junho nos cinemas.

2 de jan. de 2012

Cine Nostalgia - Cláudio Assis

O pernambucano Cláudio Assis já se consagrou no cinema nacional por suas obras, entre curtas, documentários e longas que retratam cruamente um universo bem brasileiro, regados pela miséria humana. 








Em seu marcante Baixio de Bestas, Cláudio Assis aponta para um campo muito claro, onde a violência contra a mulher é evidente, é tratada, de fato, como uma realidade abusiva e cruel no interior nordestino. O diretor, basicamente, toma duas frentes: a primeira lida com a exploração sexual, partindo da estranha relação da jovem Auxiliadora (Mariah Teixeira) e seu avô, Heitor (Fernando Teixeira) - em ruas escuras, ela é colocada como objeto de apreciação para homens sedentos por sexo, sempre levada por seu avô em troca de algum dinheiro. Por outra perspectiva, os rapazes Everardo (Matheus Nachtergaele) e Cícero (Caio Blat) são protagonistas de violentas orgias em uma casa de prostituição - tudo pelo divertimento, pelos instintos mais primitivos dos homens em uma terra de ninguém, cuja ambientação se dá em meio a Zona da Mata pernambucana.

Cláudio Assis, em um estilo único, consegue propôr uma leitura muito intensa sobre as origens da violência, tanto física quanto psicológica, utilizando-se de uma estética que prioriza os cenários decadentes e frequentes tons de vermelho. Este jogo de cores e formas simboliza o reflexo da degradação humana em seu plano mais natural, como o choque levado por seus espectadores, ao presenciarem cenas que todos sabem que existem, porém ninguém tem a coragem de falar sobre elas na vida real. Por esta crueldade em cena, Cláudio Assis, com seu Baixio de Bestas venceu diversos prêmios, como no Festival de Brasília, no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e também no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam. 

Sua mais nova produção, A Febre do Rato, foi a grande vencedora do Festival de Cinema de Paulínia. O nome, vindo diretamente de uma expressão popular do Recife, designa o estado de fúria, de falta de controle. Neste contexto, A Febre do Rato é porta-voz daqueles que, como seu protagonista, precisam se descontrolar e soltar a voz em meio à degradação humana. 

Veja o trailer de Baixio de Bestas, distribuido pela Imovision: