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23 de set. de 2011

10 Motivos para assistir "Borboletas Negras", que estreia hoje nos cinemas

Borboletas Negras da diretora holandesa Paula Van der Oest, estreia hoje (23) nos cinemas. Saiba por que você não pode deixar de assistir:

1- Borboletas Negras é baseado em fatos reais sobre a vida da poetisa Sul-Africana Ingrid Jonker.
2- Ingrid Jonker é uma poetisa que poucos conhecem, mas é um ícone da literatura Sul-Africana, tendo recebido a honra Order of Ikhamanga concedido pelo governo pela sua excelente contribuição para a literatura e comprometimento com a luta pelos direitos humanos e pela democracia na África do Sul.

3- Carice van Houten, que interpreta Ingrid Jonker, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Tribeca em 2011. 
4- Carice van Houten mais recentemente atuou ao lado de Clive Owen e Pilar López de Ayala (atriz de Medianeras) no filme de terror/ suspense Intruders.

5- Ingrid Jonker escreveu seu primeiro poema aos 6 anos, e infelizmente como muitos dos artistas que tendem à genialidade, tendem também a autodestrutividade.

6- Uma das coisas que mais chama atenção em Borboletas Negras, além da incrível atuação de van Houten, são as belíssimas paisagens da África do Sul, mais precisamente Cape Town, onde a personagem passou a maior parte de sua vida.
7- A direção de Paula van der Oest é dividida entre cenas claras e escuras, que remetem a oscilação dos momentos alegres e de extrema infelicidade de Ingrid Jonker. Reparem nas tardes luminosas nas praias de Cape Town onde Ingrid está com o também escritor Jack Cope (o irlandês Liam Cunningham), sua grande paixão, intercalada com cenas intensas e escuras, iluminadas por velas, dentro de sua casa, ou cenas com pouco sol quando presencia a morte de uma criança por soldados em Nyanga.

8- O poema “A criança (que foi assassinada pelos soldados de Nyanga)” foi lido pelo primeiro presidente símbolo da África livre Nelson Mandela em seu discurso de posse. Infelizmente Ingrid Jonker, que suicidou-se aos 32 anos, não teve em vida seu supremo reconhecimento artístico.
9- Quando se fala sobre Ingrid Jonker é inevitável uma comparação com a poetisa norte-americana Sylvia Plath, que embora muito mais conhecida que Ingrid, sofria das mesmas angústias que Jonker, e ambas tiveram o mesmo fim trágico, tirando a própria vida.
10- "Black Butterflies", título original do filme, é o nome do livro de poemas escritos por Ingrid Jonker.


Borboletas Negras está em cartaz em São Paulo: Cine Lumière, Espaço Unibanco Augusta e Reserva Cultural. No Rio de Janeiro: Espaço de Cinema, Estação Ipanema e Estação Barra Point.

21 de set. de 2011

"Fico feliz em fazer com que as pessoas conheçam essa incrível poetisa" Carice Van Houten em entrevista sobre Borboletas Negras

Borboletas Negras conta a tragetória da tumultuada vida da poetisa sul-africana Ingrid Jonker.
Em destaque no filme a atuação da holandesa Carice Van Houten, que interpreta Jonker, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Tribeca 2011.

A revista Women And Hollywood entrevistou a atriz Carice Van Houten que falou um pouco sobre como foi interpretar esse ícone da literatura sul-africana nos cinemas:

Women And Hollywood - Você interpreta personagens femininas muito fortes, e não há muitos papeis assim para mulheres.

Carice Van Houten - Não, infelizmente, a não ser que você seja muito famosa, ou então que possa se financiar. E esse é meu caso, mas não quando eu cruzar a fronteira (da Holanda).

Women And Hollywood - O que fez você se tornar atriz?

Carice Van Houten - Bom, eu acho que isso é genético. Meus avós se conheceram num teatro amador. Meu tio é ator. Eu tenho uma família muito musical vinda das minhas raizes escocêsas. Meu pai é um maníaco por cinema silencioso, então ele me levou para assistir milhares de filmes mudos desde que eu era jovem. Então eu vi o filme Annie, e eu só queria ser Annie, eu só queria ser aquela criança orfã e queria cantar e dançar.

Women And Hollywood - Nos conte um pouco sobre Ingrid (Jonker) e o que te chamou atenção para interpretar esse papel.

Carice Van Houten - Paula (Van Der Oest, a diretora) me convidou para interpretar Ingrid logo depois que fiz "Black Book" e antes eu havia feito dois outros grandes filmes na Holanda. Eles eram filmes pesados (um sobre câncer de mama e outro sobre depressão pós parto). Antes de fazer esses filmes eu queria fazer um papel substancial e eu pensei que essa era uma historia triste sobre alguém que precisava muito do reconhecimento de seu pai como quando um cachorro implora (por comida) e não consegue nada e consequentemente não consegue lidar com relações pessoais. E de certa forma eu vi algumas coisas semelhantes em minha própria vida, eu acho.

Women And Hollywood - Eu olho para Ingrid e penso que hoje ela deveria ser medicada. A mãe dela não se matou também?

Carice Van Houten - Não, ela morreu de cancêr mas em um hospital psiquiátrico. Ela não se matou, mas estava doente.

Women And Hollywood - O que esse filme significou pra você?

Carice Van Houten - Significa muitas coisas de formas diferentes. Primeiro de tudo eu tive que conhecer uma poetisa que eu não conhecia antes e é uma belíssima poetisa então fico feliz em fazer com que as pessoas conheçam essa incrível poetisa. E toda a cultura da África do Sul e história é algo que eu não estava próxima, então trabalhar com todas aquelas pessoas nesse lindo pais, nossa! É muito lindo lá. Fico feliz de estar mostrando algo internacional novamente. Por um momento eu pensei que eu só participaria do elenco de filmes de segunda guerra.
Clique aqui para ler a entrevista na íntegra (em inglês)

Borboletas Negras estreia sexta-feira, 23 de setembro nos cinemas. 

20 de set. de 2011

Conturbada vida de Ingrid Jonker vira cinebiografia em "Borboletas Negras"

Borboletas Negras estreia nessa sexta-feira, 23 de setembro nos cinemas dirigido por Paula Van der Oest e estrelado por Carice Van Houten, vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Tribeca 2011, conta a história real da poetisa sul-africana Ingrid Jonker, que dedicou a vida à poesia contra seu pai

Abraham Jonker responsável pela censura de todo o entretenimento na época do regime Apartheid vigente.
Muitas pessoas desconhecem a história de Jonker não só no Brasil, mas aqui principalmente devido ao fato de suas poesias não terem sido traduzidas para português.

Grande parte de quem conhece seu trabalho se deve ao primeiro presidente da África do Sul Nelson Mandela, considerado símbolo de liberdade na África, ter lido um poema de Jonker sobre uma criança que viu sendo morta por soldados em Cape Town.

"The child is not dead
The child lifts his fists against his mother
Who shouts Afrika ! shouts the breath
Of freedom and the veld
In the locations of the cordoned heart

The child lifts his fists against his father
in the march of the generations
who shouts Afrika ! shout the breath
of righteousness and blood
in the streets of his embattled pride

The child is not dead not at Langa nor at Nyanga
not at Orlando nor at Sharpeville
nor at the police station at Philippi
where he lies with a bullet through his brain

The child is the dark shadow of the soldiers
on guard with rifles Saracens and batons
the child is present at all assemblies and law-givings
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere
the child grown to a man treks through all África

The child grown into a giant journeys through the whole world
Without a pass."

O poema se chama “A criança (que foi assassinada pelos soldados de Nyanga)”, e foi apontado por Mandela como um símbolo da África livre no dia de sua posse.
Borboletas Negras estreia essa sexta nos cinemas. Para o crédito de ambas, Clarice Van Houten (Ingrid Jonker) e Paula Van der Oest (diretora de Borboletas Negras), a poeta é vista como nunca sendo completamente igual a sua genialidade, que surge mesmo com as limitações de sua mente consiente - Variety.


29 de ago. de 2011

Borboletas Negras e a real história da poetisa sul-africana Ingrid Jonker

Borboletas Negras é o lançamento da Imovision em setembro que conta a história real de Ingrid Jonker  uma poetisa sul-africana símbolo de heroísmo na África do Sul devido à ter dedicado seu pouco tempo de vida (19 de setembro de 1933 – 19 de julho de 1965) escrevendo e lutando em prol aos direitos humanos dos sul africanos.
Em 1948 com a implantação do regime de segregação racial Apartheid onde grande maioria dos habitantes negros foi restringida de seus direitos por um governo formado pela minoria branca, Abraham Jonker (pai de Ingrid) era presidente do comitê responsável de censurar toda parte de entretenimento publicada na época, tais como livros, músicas e tudo que envolvesse entretenimento, inclusive os poemas de sua filha Ingrid que adotava uma postura completamente oposta da de seu pai.
De seu primeiro casamento teve uma filha, e mais tarde se envolveu com Jack Cope um escritor mais velho, com os mesmos ideais de Ingrid. Dessa relação Ingrid engravidou novamente e fez um aborto (proibido na África do Sul). Decorrente do aborto, dos problemas causados devido a sua relação com seu pai e toda conturbação em sua vida, Ingrid Jonker acabou no mesmo hospital psiquiátrico que morreu sua mãe, alguns anos antes.
Após ser retirada do hospital, Jack Cope em um gesto de compaixão à Ingrid, juntou todos seus poemas e os publicou, o que chocou aqueles que defendiam o regime e principalmente seu pai.

Alguns anos antes, depois de presenciar um ato de violência contra as crianças sul-africanas em Cape Town, Ingrid escreveu o poema “The Dead Child of Nyanga”, que mais tarde foi lido por Nelson Mandela em seu discurso de inauguração do primeiro parlamento democrata da África do Sul em 1994, quando se tornou o primeiro presidente do país.

Borboletas Negras estreia em 16 de setembro nos cinemas, confira o trailer