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14 de dez. de 2011

Em Cartaz - Esses Amores e Para Poucos

O tema do amor livre é retratado de maneira bela e histórica em Esses Amores, de Claude Lelouch. O desejo e a paixão, as livres formas de amar, assim como retratados em Para Poucos, de Antony Cordier, que acaba de entrar em cartaz nos cinemas, são temas que, de fato, formam um cerco perante certos tabus impostos pela sociedade ocidental. 

No caso de Esses Amores, Ilva (Audrey Dana) é uma mulher livre, em plena Segunda Guerra Mundial, que se insere no contexto de uma França invadida pelo exército nazista. Como não poderia ser diferente, ela se apaixona por um soldado alemão, indiretamente ligado à morte de seu pai. Mesmo durante o julgamento pela morte do pai, Ilva continua determinada a viver novas experiências, se apaixonando desta vez por dois soldados americanos ao mesmo tempo. O ciúmes, as diferenças entre os dois e a incapacidade de Ilva em escolher um deles é o foco de um enredo que narra conflitos, desejos insaciáveis e tragédias, com um ar dramático da década de 40. 

Já em Para Poucos, a questão que engloba uma nova forma de encarar o relacionamento amoroso culmina em dois casais; Rachel (Marina Foïs) e Franck (Roschdy Zem), Vincent (Nicolas Duvauchelle) e  Teri (Élodie Bouchez). Eles estão dispostos a viverem um tipo de "quadrado" amoroso, eles se divertem e exploram tabus cuja sociedade recrimina dentro e fora das telas. A troca de casais é retratada de uma forma contemporânea, sensual e, ao causarem um típico choque ao espectador, levam a uma profunda reflexão sobre o que é o amor, o desejo e até que ponto é possível amar tão incondicionalmente a ponto de trair com o consentimento do parceiro. Uma temática de corpos em choque físico, de situações comuns que se entrelaçam no prazer de seus protagonistas, assim, mostrando um foco completamente novo, artístico ao que se consideraria "anormal" para uma sociedade moralista.

Esses Amores e Para Poucos estão nos cinemas, veja os trailers:

26 de ago. de 2011

Hoje estreia Esses Amores, de Claude Lelouch, nos cinemas brasileiros

Esses Amores é o mais novo longa do diretor veterano e polêmico por suas declarações, Claude Lelouch.

Há quem goste e quem desgoste de sua maneira de fazer filmes, pois a peculiaridade de Lelouch na direção destes acaba sendo uma afirmação do cinema de autor, "movimento" que o próprio Lelouch diz rejeitar, e talvez por conta desse paradoxo anunciado faz com que muitos "críticos" e "apreciadores de cinema" deixem um pouco de lado o trabalho de Lelouch, o que é um grande erro decorrente do pré-conceito estabelecido pela mídia. 
Os filmes de Lelouch tem traços inconfundíveis, carrega sentimentalismo e as histórias são sempre baseadas e rodeadas na temática do amor, o que as vezes é taxado como simplista e superficial, mas segundo Lelouch seus filmes conta as histórias de acordo com o que permeia sua vida real, que em sua perspectiva (explicitada em todos seus outros filmes) é o amor.


O amor de Lelouch nada tem a ver com deixar tudo de lado e apenas valorizar o amor, ele mesmo em entrevistas deixa bem claro que o "amor" para ele é ser adepto à seguir os instintos, ou como ele diz "seguir o coração" em qualquer circunstância, e é por isso que em sua recente entrevista sobre "Esses Amores" diz que Ilva (Audrey Dana) é como se fosse seu alterego, pois ele assim como a protagonista viveu seus amores sem pensar nas consequências, e assim sempre construiu seus filmes dessa maneira, sem nunca se colocar fora da ideologia, mas sim adaptando-se à ela, como se vivesse intensamente dentro dela com todas as suas conturbações.

O próprio Lelouch nunca se auto-rotulou um cineasta que exigisse do público uma interpretação intelectual, até porque sempre se colocou em uma posição contra os realizadores do movimento da Nouvelle Vague que tem esse aspecto como primordial em suas produções, como já foi dito a cima.

De fato, Esses Amores é um tributo ao cinema, o título em inglês "What War May Bring" (O Que a Guerra Pode Trazer) completa o francês/ português "Ces amours-là"/ "Esses Amores", uma vez que o que a guerra acarretou a Ilva e ao próprio Lelouch foi certa indiferença em relação às convenções sociais estabelecidas, e uma vontade de viver a vida impulsivamente e realizar as coisas de acordo com o que acha que deve ser feito no momento.


Esses Amores estreia hoje nos cinemas brasileiros, dirigido por Claude Lelouch e estrelado por Audrey Dana. Em São Paulo: Cine Lumiére, Playarte Bisrtol, Reserva Cultural, Cine Sabesp e Espaço Unibanco Augusta; no Rio de Janeiro: Espaço de Cinema, Estação de Cinema, Estação Ipanema, Estação Barra Point, Estação Vivo Gávea; em Porto Alegre no Unibanco Arteplex

24 de ago. de 2011

“Esses Amores”: Tributo ao cinema de Claude Lelouch, em entrevista exclusiva

Claude Lelouch reproduz em seus filmes seu olhar oblíquo do mundo na esfera do amor e dos sentimentos intensos desde o começo da sua carreira.
Em entrevista exclusiva para o site do Rendez-Vous with French Cinema, Lelouch fala sobre “Esses Amores” e o que o filme que sintetiza sua carreira significa para ele. Assim como o diretor, é uma entrevista não convencional feita por tópicos em que ele discorre e encaminha a “conversa” da maneira que prefere, o que torna o texto bastante interessante e capta bastante o ponto de vista do diretor. Confira abaixo:

“Esses Amores”: Ponto culminante de 50 anos de cinema

Durante minha carreira de diretor de cinema eu sempre pensei que um dia eu faria um filme que resumisse, que contivesse todas as paixões que sempre me moveram. Eu tenho procurado por sentido em meu jeito de fazer cinema do mesmo jeito que as pessoas procuram pelo sentido da vida. O mais velho consegue, as demais coisas estáticas se tornam essenciais. É como um corredor se aproximando da linha de chegada: a 50 metros dela ele se esquece de todas as estratégias. Eu também estou na ultima “volta” da minha vida, na reta de chegada na minha carreira de realizador de filmes. Se eu tivesse feito “Esses Amores” há 30 anos, provavelmente teria 5 horas de duração.
Para esse filme, usei todas as coisas que já anotei e rabisquei no percurso de minha carreira, todas as pequenas histórias que me fascinaram e eu pude relacionar, e me perguntando como poderia amarrá-las todas juntas.

Eu coloquei todas as minhas obsessões e tudo que já amei nesse filme. Representa a soma de todas as emoções que experimentei em minha vida. De certa forma é uma culminação de 50 anos de sonhos e emoções. Afinal, um artista tente a sempre pairar pelo mesmo assunto; vindo de mim não é pejorativo, porque nós todos temos nossas obsessões recorrentes. Guerra, por exemplo, tem um papel importante na minha vida. Eu era uma criança durante a guerra. Você não pode evitar carregar isso para o resto da sua vida, isso te marca para sempre. Quando você vivencia a guerra, você entende do que o ser humano é capaz, no melhor e no pior. Você nunca se sente completamente seguro. Você sabe que existem todos os tipo de “Judas” lá fora. Eu estava fazendo um filme reflexivo sobre todas as minhas obsessões, eu não tive escolha a não ser falar sobre guerras. E nesse filme você também vê ou ouve os filmes e as músicas com os quais eu cresci.

Ilva ou o nascimento da mulher moderna

Eu sei que a heroína de “Esses Amores” é uma mulher, e a espinha dorsal do filme é sua imagem. Todas as guerras ajudaram a mulher moderna chegar aonde chegou, mas foi durante a segunda guerra que ela realmente emergiu.
Quem foram os vencedores dessa guerra? As mulheres. O mundo que estamos vivendo hoje é resultado da vitória das mulheres. Elas sabem como conciliar seus sonhos e dificuldades da vida real. Elas podem levar um golpe e levantar, podem perdoar. O amor pode mata-las, mas também pode curá-las. Eu entendi muito cedo que as mulheres estavam prontas para se sacrificarem por amor, que elas eram o centro, o coração pulsante de todas as coisas.

Amor no Plural

Nesse filme eu retratei mais a fundo um relacionamento amoroso. Ilva diz “obrigada” com seu corpo, e ela se apaixona verdadeiramente por dois homens ao mesmo tempo. Se ela era incapaz de escolher entre um dos dois e deixa isso para que o acaso decida, era porque ela realmente amava os dois.

Eu deixei uma moeda decidir alguns rumos da minha vida, e eu queria que Ilva fizesse o mesmo. Ela é honesta com os dois, as coisas são perfeitamente claras. E eu também queria mostrar o homem ajudando minha heroína crescer como pessoa. Essa mulher é resultante de cinco homens que foram importantes em sua vida. Os primeiros quatro a preparam para estar amando o ultimo. Cada historia de amor é contada como se fosse a final, considerando que pode ser apenas a rodada de eliminação.

Amor e o presente

Eu já fui questionado por que conto apenas historias de amor. A razão é simples: É que eu só me interesso pelo que é essencial. E eu acredito que quando estão filmando uma história de amor. Eu agrego todos os outros aspectos da vida ao mesmo tempo: os sociais, políticos e também metafísicos.

A vida é um filme que você perde os primeiros 10 minutos e vai embora antes do final. A partir do momento em que você nunca sabe o começo ou o fim, você tem que fazer o melhor no presente. A personagem Ilva tem a clareza na mente para fazer apenas isso. Ela vive no presente e não precisa ler os jornais ou seguir as regras impostas pela sociedade: ela ouve a batida de seu coração. Ela não é inteiramente inocente, mas tem uma qualidade: ela é sincera. Ela ouve as verdades de acordo com seu coração e não precisa se questionar se vai segui-lo ou não, apenas segue. E é assim que tenho feito em toda minha vida. 

Eu não acredito muito em seguir o pensamento de uma só pessoa, porque existem sempre interesses comerciais por trás: Eu tenho sido um diretor que preferi seguir a batida do meu coração. Escondido atrás de Ilva sou eu, ela é um pouco do meu alterego. Eu não gosto de mulheres que são femininas e nada mais, essas babacas que são estereótipos de mulher. Nenhuma cena pedia isso, eu brinquei com a dualidade feminina-masculina de Audrey Dana.

Um tributo ao mundo do cinema

Se você me perguntar de que cidade eu vim, eu responderei “cinema”. Não existe outro lugar calmo como uma sala de cinema que está exibindo um bom filme. A mais maravilhosa jornada de minha vida foi estar no cinema. Então tive que dar a esse cenário as maiores partes de meus filmes. E não é coincidência o teatro do filme ser chamado de Éden. Esse Eden Palace é uma mistura do Scala, do Rex e do Eldorado. Os extratos de filmes que são mostrados em “Esses Amores” foram muito bem escolhidos. Usei cenas que davam continuidade ao filme.

Verdadeiras histórias intercaladas

Em “Esses Amores” toda historia é verdadeira. A única coisa que não é verdade é o link que as junta. [...] Eu adoro a mixagem de anedotas e histórias que as pessoas têm em comum: O inverno, a guerra, noite e dia, calor e frio... Isso é o que faz a historia. A vida ela mesma é uma mixagem de gêneros. Desde pequeno eu fiquei consciente que a vida era uma sucessão de bons e maus momentos num mundo precário, onde todas as coisas ficam velhas e têm um começo e um fim.

Filme Rodado na altura dos ombros

Levei um bom tempo para entender que pessoas devem ser filmadas na altura dos ombros. Em “Esses Amores” não existem ângulos altos ou ângulos baixos: todos são filmados na altura dos olhos. A câmera foca no ser humano como nunca havia sido feito em meus filmes anteriores. Eu nunca havia ficado tão a serviço dos atores, tão próximos a eles. O filme é inteiro feito em closes os quais impõem minha visão, e planos abertos que permitem o espectador escolher para onde ele quer olhar. Isso é uma sucessão de ditadura e democracia na composição do filmes. Para ser claro, eu queria que isso fosse lindo mas expressasse a realidade do cotidiano, não dar a impressão e o sentimento de estarmos em uma pintura.

17 de ago. de 2011

Esses Amores, de Claude Lelouch, será exibido em pré-estreia em São Paulo e no Rio Janeiro

O novo trabalho do cineasta Claude Lelouch estreia no dia 26 de agosto nos cinemas, porém em algumas salas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o filme Esses Amores terá pré-estreia e chega ainda essa semana nos cinemas.

"Esses Amores" conta a história de Ilva, nascida na primeira metade do século XX. Uma mulher moderna, a frente de seu tempo que vive intensamente sua paixões sem deixar que as regras sociais ou as dificuldades a impeçam de sonhar. Ilva é romântica heroína que encarna toda coragem e as contradições de uma mulher livre.

A produção distribuida pela Imovision conta com a atriz Audrey Dana, com quem Claude Lelouch já havia trabalhado em "Crimes de Autor".

O filme será exibido neste sábado em São Paulo e nos dias 24, 25 e 26 no Rio de Janeiro. Veja a seguir onde será a pré-estreia do filme Esses Amores.

Pré-estreia em São Paulo
Reserva Cultural, dia 20/08 (sábado) às 23h55
Espaço Unibanco Pompéia, dia 20/08 (sábado) às 19h20
Cine Lumière, dia 20/08 (sábado) às 20h45
Unibando Arteplex, dia 20/08 (sábado) às 21h40

Pré-estreia no Rio de Janeiro
Estação Vivo Gávea, dia 23/08 (terça-feira) às 21h20
Estação Sesc Barra Point, dia 24/08 (quarta-feira) às 21h40
Estação Sesc Botafogo, dia 25/8 (quinta) às 21h30

4 de ago. de 2011

"Esses Amores", o mais novo longa de Claude Lelouch

Esses Amores (Ces amours-là), o mais novo filme do consagrado diretor francês Claude Lelouch que será distribuído pela Imovision, chega aos cinemas brasileiros esse mês.
Claude Lelouch  é diretor de muitas pérolas do cinema francês, como "Um Homem, Uma Mulher", de 1966, que levou o Oscar de melhor produção estrangeira e o de roteiro e indicado como melhor diretor, e vencedor da Palma de Ouro em Cannes; "Viver por Viver", de 1967, e o belíssimo "Retratos da Vida", de 1981.
Em todos seus (quarenta e três) filmes, Lelouch apresenta certas peculiaridades em sua direção, além dos temas que na grande maioria das vezes englobam amor, arte, destino, felicidade, morte, liberdade... E “Esses Amores” não é diferente: Conta a trajetória de Ilva (Audrey Dana, que já havia trabalhado com Lelouch em “Crimes de Autor”), uma bela mulher francesa à frente de sua época, em meados a 2ª guerra mundial. Uma mulher moderna e emancipada que vive intensamente sua paixões sem deixar que as regras sociais ou as dificuldades a impeçam de sonhar.

A arte é notável em Esses Amores. Possui total essência musical, onde a narrativa da vida de Ilva é feita por um casal de músicos que estão sempre ao seu redor reproduzindo seus dramas pessoais em forma de melodia.
Esses Amores é um projeto antigo  idealizado por Lelouch como uma espécie de filme síntese de sua carreira, e traz diversas referências de seus próprios filmes anteriores, além de trechos de filmes de diretores que o influenciaram ao longo de sua trajetória, como Jean Gremillon, Victor Fleming e Marcel Carné.

O filme é cheio de inserções e brincadeiras sobre a historia do cinema e referencias a filmes que a marcaram, como uma resposta à François Truffaut, Jacques Rivette, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, cineastas que inauguraram o  movimento cinematográfico Nouvelle Vague, o qual Lelouch não é adepto e declarou em uma entrevista em 2008 no Estado de São Paulo: “A nouvelle vague foi muito útil para mostrar como não se deve filmar”.

O diretor acredita que a Nouvelle Vague afastou o público dos cinemas e criou uma estética espetaculosa, de nariz empinado, que não se enquadra com o que pensa sobre o cinema.
Ilva (Audrey Dana) e seus amores de "Esses Amores". 
Lelouch certa vez em entrevista disse que seus filmes são de certa forma rotulados como restritos por misturar muito os gêneros. “E, de fato, neles há romance, humor, suspense, tudo isso. E sabe por quê? Porque na vida também é assim, tudo misturado; então as pessoas se identificam com meus personagens e minhas histórias”. Seus filmes têm todas as deficiências e oscilações da vida real, e é por isso que são tão bons.

Esses Amores é uma síntese da vida real acrescentado à síntese da história do cinema, que hoje em dia é muito presente na vida da grande maioria das pessoas.