11 de jan. de 2012

Em Cartaz - Minhas Tardes com Margueritte



Se você ainda não viu esta fabulosa história, corra, já que Minhas Tardes com Margueritte se trata de um daqueles improváveis encontros que, aos poucos, mudam a vida de seus envolvidos. Aqui, Germain (Gérard Depardieu) tem a sua vida mudada completamente, quando conhece Margueritte (Gisele Casadesus), uma senhora apaixonada por livros.

Para que ocorra esta mudança, é necessário mostrar ao mundo que Germain é um cinquentão semi-analfabeto. Por acaso, como em uma sala de cinema ou uma cadeira em um restaurante, ele se sentam lado a lado em um parque. Ao recitar em voz alta os belos versos dos livros encantadores que lê, Margueritte desperta em Germain um desejo de conhecer a magia dos livros os quais nunca teve oportunidade de ler. O destino mostra suas garras, fazendo com que, aos poucos, Margueritte, pela idade avançada, perca a visão. Nesta nova missão, Germain, com todo o respeito e afeto desta relação, se propõe a aprender a ler, mostrando como poderá ser útil quando sua mentora não puder mais realizar a tarefa de recitar.

Em resumo, Minhas Tardes com Margueritte conta uma história de afeto, de esperança, aprendizado e amor, uma verdadeira vitória!

Veja o trailer de Minhas Tardes com Margueritte, em cartaz nos cinemas:


10 de jan. de 2012

A Guerra Está Declarada faz sucesso em seu final de semana de estreia


A história de Valérie Donzelli está nas telas. Mas não é uma história qualquer, pois o representante francês concorrendo como um dos filmes do Oscar 2012 poderia ser apenas uma triste história de uma família que luta contra uma doença incurável, nos padrões hollywoodianos, nos quais lágrimas são arrancadas dos olhos de seus espectadores sem qualquer esforço, porém, nesta grande produção, Valérie Donzelli permite-se sobrepor emoções, deixando claro que a questão abordada no filme A Guerra Está Declarada é a de uma luta por meio do amor. 


Em sua primeira semana, A Guerra Está Declarada, filme que ilustra com um colorido especial o que deveria ser dor, mostrou aos espectadores que as intenções de Donzelli estão acima das espectativas, inclusive com uma breve homenagem à música brasileira, já que em sua trilha sonora, além do aclamado Peter Von Poehl, conta com Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria que envolve a belíssima trama. 
Mais um motivo para ver A Guerra Está Declarada? O filme conquistou 800 000 espectadores de seu país de origem, a França, onde foi recorde absoluto de bilheteria e alcançou um patamar elevado, ao ser levado à representação francesa para o Oscar 2012, como melhor filme estrangeiro. O trocadilho é inevitável, A Guerra Está Declarada, na verdade, simboliza uma luta real contra um inimigo invisível, porém, utilizando-se de armas apropriadas, como o bom-humor e a esperança, tudo parece acabar como uma grande vitória.
Nota-se em Valérie Donzelli, um filme que celebra a vida e a felicidade, a vontade da persistência, sendo que, nunca, nem mesmo nas salas de hospitais, deve-se enfraquecer perante um mal. O público parece também sair muito mais esperançoso das salas de cinema, em direção ao mundo real após verem A Guerra Está Declarada; Donzelli coloca em cada um, um pouco mais de brilho em suas vidas. 

Veja o trailer de A Guerra Está Declarada, que está em sua primeira semana em cartaz:


Quando não há esperança, não há mais razão para ser pessimista

Aki Kaurismaki em seu mais novo filme O Porto, aborda de forma doce e extremamente divertida a imigração e xenofobia na Europa.
Em uma cidade portuária da França chamada Le Havre - onde há uma grande concentração de imigrantes ilegais - Marcel Marx (André Wilms) um ex-escritor, agora engraxate boêmio, se depara com um garoto africano - Idrissa (Blondin Miguel) - que chegou na cidade num contêiner, no intuito de ir para Londres reencontrar sua mãe e conseguiu escapar das autoridades quando descoberto.

Marx - que faz alusão à filosofia e a classe social mais baixa - acaba ajudando o garoto o escondendo e o abrigando em sua propria casa, sem se preocupar com o inspetor Monet (Jean-Pierre Darroussin), um detetive encarregado de encontrar Idrissa.
Monet (Darroussin) e Marx (Wilms): Figuras opostas unidas pelo "milagre"da caridade.
Em meio a crise e a falta de dinheiro, o milagre é derivado do otimismo de Marx, contagiando a vizinhança que por sua vez também acolhe o garoto e apoia a decisão do engraxate. O Porto - título em português - muito mais que referente a cidade portuária acaba sendo um porto seguro, repleto de solidariedade e fraternidade daqueles que habitam a pacata Le Havre.

Aki Kaurismaki em uma entrevista relatou sua falta de esperança na humanidade - "Quando não há esperança, não há mais razão para ser pessimista" - e em contrapartida produziu um filme onde a bondade e a esperança emergem mesmo em tempos difíceis. O diretor retrata a sociedade não como ela realmente é, mas sim como ela poderia ser e coloca a caridade como um milagre vencendo até mesmo a lei, através da solidariedade prestada pelo detetive Monet - que não por acaso leva o nome de Monet, pintor e sociólogo conterrâneo de Le Havre.
O Porto, representante da Finlândia e forte candidato a concorrer como melhor filme estrangeiro no Oscar 2012 , é o ponto de vista otimista de uma situação desesperançosa recorrente.

Em Breve - Cairo 678

Uma história que poderia ser contada como outra qualquer, especialmente porque se trata de uma realidade vivida por milhões de mulheres no mundo inteiro. Cairo, o palco da trama é apenas uma cidade como outra qualquer: talvez São Paulo, Rio de Janeiro ou Nova Déli, ou talvez Londres, Milão e Nova York. 

Atualmente, as leis que protegem as mulheres contra a violência doméstica e sexual ainda são pouco vistas, de fato, como legislação em vigor. Com isto, o medo e a insegurança tomam conta da vida daquelas que sofrem em silêncio. 678, o nome de uma linha de ônibus da capital egípcia é o que une estas mulheres que, silenciosamente, ou não, gritam por seus direitos, apenas por serem... mulheres. 

O enlace desta produção mostra a história de Seba, uma garota moderna para os padrões culturais daquele país que acaba sendo violentada em um jogo de futebol. Com esta situação lamentável, ela se rebela, tornando-se ativista de seus direitos e ensinando auto-defesa à outras mulheres que se sentem violentadas. O assunto é de extrema seriedade, quando surge também Fayza, uma dona de casa que segue rigidamente as tradições nacionais, porém, não a deixa imune contra o assédio sexual que é vítima todos os dias em um ônibus quando volta para casa. O círculo se forma com Nelly, uma comediante que, após uma intensa luta, torna-se a primeira mulher no Egito a processar alguém por abuso sexual. 

De um modo único, o diretor Mohamed Diab coloca em Cairo 678 mulheres oprimidas fisicamente e psicologicamente, que convivem com atrocidades de um universo machista, apesar das diferenças entre as protagonistas, elas possuem semelhanças que, assim como muitas espectadoras, podem sentir na pele as feridas de uma sociedade que parece não evoluir.

Saiba mais sobre Cairo 678 aqui.


9 de jan. de 2012

Cine Nostalgia - Jean-Luc Godard

Jean-Luc Godard é um daqueles cineastas conhecidos por todos. Nascido na década de 30, franco-suíço e um nato vanguardista, mudou o modo de produção cinematográfica mundialmente, pois tomou como temas e assumiu como forma, de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, os dilemas e perplexidades do século XX. Além disso, é também um dos principais nomes da "Nouvelle Vague", vertenta cinematográfica francesa.

Film SocialismeEm seu Film Socialisme, Godard coloca em um cruzeiro os seus debatedores. Eles falam sobre história, filosofia, geometria, dentre outros assuntos variados, que nos remetem a uma reflexão plena sobre o que acontece no mundo a nossa volta, ao mesmo tempo em que, com uma câmera caseira, filma uma grande festa neste cruzeiro, que percorre um  passeio por Barcelona, Egito, Odessa, Palestina, Nápoles e Hellas. Em tom de protesto, o diretor se pauta em discursos contrários ao sistema vigente, pelo capitalismo e o preconceito étnico, temas que percorrem toda a produção. No meio disso, verdadeiras frases de impacto político são colocadas na bocas de suas personagens, sem qualquer roteiro que permita a articulação tempo-espacial nesta embarcação filosófica. Esta filmagem representa o próprio movimento, o próprio Godard, mostrando que Film Socialisme é um recorte profundo e atual sobre o posicionamento e a reflexão filosófica em frente à convenção capitalista que se mantém no século XX, opondo-se especialmente ao cinema hollywoodiano, fruto pleno do capitalismo.

Com sua narrativa fragmentada, Jean-Luc Godard consegue passar uma imagem que vai além dos filmes tradicionais, utilizando um estilo peculiar com o que se relaciona unicamente, provocando as mais diversas sensações em seus espectadores, além de ser aplaudido em Cannes.

Veja o trailer de Film Socialisme, do homenageado de hoje, Jean-Luc Godard: