Philippe Garrel chega agora com Um Verão Escaldante, dando continuidade a seu trabalho de perspicácia estética, de beleza sublime e de um foco artístico único, que emoldura toda a ação enaltecedora deste cinema francês.
12 de dez. de 2011
Cine Nostalgia - Philippe Garrel
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Nesta semana, o Cine-Nostalgia prestigia o cineasta francês Philippe Garrel, conhecido por obras que mantém uma relação muito profunda entre as artes e os relacionamentos amorosos, além do fato de ser pai do ator-símbolo Louis Garrel, o qual frequentemente atua em suas produções, além das locações belíssimas, com cenários que levam os espectadores aos mais insólitos cantos da capital francesa.
Amantes Constantes mostra uma Paris revolucionária, personalizada pelo jovem François e Lilie, uma bela garota. Em meio a esse clima, a cidade ganha um ar cheio de tentações e revoltas, típicas de uma juventude que vive Maio de 68 na França. Em Amantes Constantes, Philippe Garrel se apropria de ambiguidades para mostrar um movimento único de seu universo. O jovem artista é cercado por este mundo de constantes mudanças; percebe que, a sua volta, aqueles que convivem consigo são obrigados a tomar decisões individualistas e oportunistas, o que inclui a jovem Lilie, capaz de abdicar de um amor puro em razão de um mundo de novos caminhos e dinheiro. Philippe Garrel trabalha, especialmente, a estética corporal, onde o ponto de vista amplo se minimiza em função dos olhares, dos movimentos mínimos, do toque. Enquanto esta relação acontece, o cenário de conflito entra como pano de fundo para a ação que evoca a um realismo muito conhecido em um sistema subordinado ao capital.
Em A Fronteira da Alvorada, o cineasta retoma a temática artística, colocando em cena, obviamente, Loius Garrel; desta vez, um jovem fotógrafo, mais uma vez, um jovem François, que se apaixona por uma bela, desta vez Carole, evidenciada com toda a beleza de uma musa, provando assim que existe, de fato, a paixão de um fotógrafo pela imagem e sua personificação. O cenário é rico e a estética da beleza vigora a todo momento, contando com a particularidade corporal que persiste no desenvolvimento de suas personagens. Carole é casada, seu marido está nos Estados Unidos. Neste contexto, François se entrega a uma paixão evidente pelo belo. Com a volta do marido, decide-se então pelo fim destes encontros e, a deixa para o jovem é o relacionamento com Ève, mulher que pode lhe garantir o conforto de uma vida estável. O drama parece nos dar as diretrizes de um final comum, uma frustração apagada por um novo amor, entretanto, o semblante emblemático de Carole persiste, atormentando profundamente o fotógrafo. A paixão estética, neste contexto é o primordial, ou seja, é responsável pelo desenvolvimento de toda a ação da obra, é o que impulsiona as personagens a dar continuidade à história, é o que torna a produção especialmente sublime.
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